sexta-feira, 30 de março de 2012

Casas da Costa Nova do Prado - Aveiro

Foto: M&S 
2010

Ao falar do Barco Moliceiro em Aveiro é impossível não fazer referência a estas casas da Costa Nova do Prado que fazem parte do imaginário dessa zona do pais.
São coloridas, às riscas, originais e convidativas. A última vez que passei por lá foi em 2010 e não resisto a partilhar as fotos que tirei.

Foto: M&S 
2010

Essas casas eram os conhecidos palheiros, evidenciam-se como uma construção bem típica desta região que ninguém pode deixar de admirar.
Foi depois de 1808 que essas casas de madeira tradicional portuguesa começaram por surgir após a abertura da nova barra, eram construídas sobre estacas devido ao terreno movediço que não permitia que se construí-se diretamente assente no solo. A sua construção palafítica permitia a subida das águas da ria, que inundava o terreno sem que afeta-se a habitação de igual modo permitia que a areia arrastada pelo vento pudesse passar por baixo das casas.
Tudo indica que os primeiros palheiros surgiram à beira mar para servir o modus vivendi da população local, grande parte dedicada à pesca. A função inicial desses palheiros era guardar as redes e os artigos relacionados com a atividade piscatória. Tendo inicialmente uma única divisão, com o passar do tempo e em resposta às necessidades locais as divisões interiores foram sendo aumentadas e passaram a ser a casa de alguns pescadores deslocados permanentemente, surgem desse modo novas povoações costeiras tão estudadas em antropologia e etnografia. Destaco o trabalho de Sally Cole canadiana e professora de antropologia na Universidade de McMaster que estudou as mulheres de uma comunidade costeira em Vila Chã a sua obra foi editada em 1994 e chama-se "Mulheres da praia - O Trabalho e a vida numa comunidade costeira portuguesa" da Ed. D. Quixote.
Mais tarde os palheiros foram ganhando protagonismo e a originalidade e as suas cores garridas chamavam a atenção dos mais distraídos. Foi a praia eleita por alguns intelectuais da altura como Eça de Queiroz que era frequentador do palheiro de José Estêvâo considerado um ilustre embaixador desta região.

Foto: M&S 
2010

Atualmente são uma das imagens de marca da região e do pais e completam o quadro perfeito num dos locais mais belos que temos em Portugal, perto do sítio apelidado por alguns como a Veneza de Portugal a Ria de Aveiro.  

Cole, Sally:  "Mulheres da praia - O Trabalho e a vida numa comunidade costeira portuguesa" da Ed. D. Quixote, Lisboa
http://barramar.blogspot.pt


quinta-feira, 29 de março de 2012

Barco Moliceiro

Foto: Sarmento, Clara
Painéis de Moliceiros (finais da década de 90)

O Moliceiro é um tipo de embarcação regional em que a função original era o da recolha de moliço, substância composta por plantas aquáticas tradicionalmente empregues para a fertilização dos campos agrícolas. De referir ainda que o termo moliceiro refere-se à embarcação mas também ao seu utilizador.

Foto: M&S
Moliceiro Ria de Aveiro 2010

O que evidência e destaca este tipo de embarcação pela sua originalidade e que a tem projetado como artefacto estético e cultural de valor deve-se aos seus painéis decorativos que têm sido objeto de estudo e de interesse pela comunidade académica liga à antropologia e etnografia que retratam a autêntica expressão de “arte popular”.
As cores vivas e garridas, as histórias que contam as suas pinturas recorrendo a elementos marinhos e também rurais, episódios românticos ou religiosos, podendo ser ou não tratados de forma humorística, brejeira, religiosa ou satírica. Abraçam as lendas da região e o imaginário popular confunde-se com o real.
Por inúmeras razões o barco moliceiro esteve perto da sua extinção nas décadas de 70 e 80 do século XX. Porém nas últimas duas décadas notou-se um ressurgimento desta embarcação que salvaguarda um potencial simbólico e económico emblema desta região de Portugal.
O Barco Moliceiro é uma embarcação com cerca de 15 metros de cumprimento e 2,5 metros de largura sendo a sua construção uma indústria tradicional que passa de geração em geração e que apenas existe nessa região principalmente nos concelhos da Murtosa e Ílhavo. Navega em pouca profundidade, sendo o castelo da proa coberto e nos meios de propulsão recorre ao uso da vela, vara e a sirga.

Foto: M&S
Barcos Moliceiro Ria de Aveiro 2010

É atualmente uma importante atração turística dessa região que retrata de um forma particular a cultura popular e da qual nos devemos orgulhar.

Fonte: 
Destaco o importante trabalho de Clara Sarmento que obteve o prémio CES 2007 para jovens Cientistas Sociais de Língua Oficial Portuguesa, esse prémio foi o reconhecimento pela investigação que teve como objecto central o moliceiro da região de Aveiro.
Sarmento, Clara «Cultura popular portuguesa: práticas, discursos e representações»,Porto, Ed. Afrontamento, 2008. 
Sarmento, Clara, «A cultura popular portuguesa e o discurso do poder: práticas e representações do moliceiro», Centro de Estudos Interculturais, Instituto Superior de Contabilidade e Administração, Instituto Politécnico do Porto.
Ricardo Campos, «Clara Sarmento, Cultura popular portuguesa: práticas, discursos e representações», Etnográfica, vol. 14 (1) | 2010, 206-208.
http://amiria.blogs.sapo.pt/
http://etnografica.revues.org/374
http://www.tovieira.com/

quarta-feira, 28 de março de 2012

Delta cafés


Todos nós temos pessoas que nos inspiram, que nos fazem pensar e que são uns visionários empreendedores. Para mim Manuel Rui Azinhais Nabeiro é uma referência do meu Alentejo profundo para o mundo. 
Em 1961 este senhor decidi criar a sua marca de cafés na bonita vila alentejana de Campo Maior, o espaço inicial era reduzido, os recursos também mas a força e a coragem foram o motor de arranque. 
O lema comercial da marca é "Um cliente um Amigo", baseado na filosofia da confiança dos clientes e na personalização da relação marca vs cliente.
Desde sempre a principal aposta é a inovação e a qualidade. Na segunda metade dos anos 70 a estrutura comercial consolidou-se e foi o ponto de partida para encarar o mercado de forma decisiva. No ano de 1984 dá-se a separação da actividade comercial assegurada pela empresa Manuel Rui Azinhais Nabeiro Lda, da actividade industrial, desenvolvida pela Novadelta S.A., tornando-se em 1994 a primeira empresa certificada no sector dos cafés em Portugal, pelo sistema de norma NP 29002.
Seguiu uma estratégia de "mono marca", criando diferentes tipos de serviços. Em 1998 uma nova reorganização do grupo dá origem a 22 empresas organizadas por áreas estratégicas com vista ao reforço da actividade principal do grupo.
Em 2002 nova certificação com o produto Delta Diamante, Platina e Ouro. Em 2007 nova criação e apresentação do conceito exclusivo Delta Q e de referir ainda o projecto Delta Tejo que é o único festival de música no coração de Lisboa, com artistas oriundos de países produtores de café, salvaguardando valores como a inclusão, o respeito pelo ambiente num espírito de partilha.
50 anos a despertar Portugal e a verdade de ser o melhor café português. 

O que me apetecia agora 

As origens


Informação e imagens 
http://www.delta-cafes.pt/



segunda-feira, 5 de março de 2012

Miradouro do Cais das Colunas

Foto: M&S

A última vez que fui a Lisboa estive aqui e agora que estou quase de volta para mais uns dias, sonho em repetir este momento único, este quadro não me sai da cabeça e nem no Louvre me esqueço dele! 
Em frente ao Terreiro do Paço as suas colunas dão-lhe o nome e é através delas que podemos tocar o Tejo e mergulhar com o olhar numa vista plana sobre o Tejo, Cacilhas e Almada, sentir o pulsar da cidade e os movimentos constantes das pessoas que todos os dias passam por lá para apanhar os cacilheiros e atravessar o rio.
Neste local sentimos uma grande carga histórica, foi por aqui que a ligação da cidade ao rio  foi feita durante muitos séculos sendo também conhecido como a “porta da cidade”.
O Cais esteve sempre integrado no projeto da Praça do Comércio, aquando da reconstrução da cidade depois do grande Terramoto de 1755, assinado pelo Arquiteto Eugénio dos Santos, a sua conclusão remonta aos finais do século XVIII. 

As duas colunas, que abraçam a escadaria de pedra que desce até ao rio dão vontade de relaxar de sonhar.

Avenida Infante Dom Henrique
Terreiro do Paço
1100 LISBOA