domingo, 29 de abril de 2012

Tenho tanto sentimento

Foto: M&S

Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

"E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar. " Por isso e 
muito Mais 
Lisboa aí vamos nós...  


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Festa da Flor - Madeira

Foto: Turismo da Madeira 

A festa das Flores na Madeira é uma forma especial de receber a primavera. Ano após ano duas semanas depois Páscoa realizam-se os festejos de homenagem às flores madeirenses e um sumptuoso e grandioso espetáculo sai à rua para espalhar as cores e os perfumes das protagonistas da ilha. As principais ruas do Funchal são o palco para um desfile de carros alegóricos que mostram de forma grandiosa as fabulosas espécies da ilha, os perfumes espalham-se e encantam todos os que tem a sorte e a oportunidade de participar. Alguns rituais são mantidos e na véspera do cortejo crianças reúnem-se na Praça do Município para colocar uma flor e construir o apelidado “Muro da Esperança”. Outras iniciativas que existem são a construção de tapetes florais, atuação de grupos folclóricos, vários concertos e espetáculos.
Um dos pontos altos acontece no Domingo pelas 16h quando o Cortejo Alegórico das Flores com mais de 1 milhar de figurantes com trajes alusivos à flor ao som da música cuidadosamente escolhida, percorrem as principais artérias da cidade juntamente com os carros alegóricos decorados apropriadamente com muitas das variadas flores da Madeira.
Esta é sem dúvida uma boa altura para visitar a Madeira sentir os cheiros, as texturas e deixar os perfumes comandar a sua entrada na primavera. Caso para dizer “Madeira em Flor” 
De 19 a 25 de Abril 
A Madeira espera por si

Fonte: 
http://www.madeira-web.com
http://www.madeira-live.com
http://www.acontecemadeira.com
http://www.visitmadeira.pt/

terça-feira, 17 de abril de 2012

Compal, 60 anos é muita fruta

Fonte: https://www.facebook.com/CompalPortugal
60 anos é muita fruta 

A Compal é uma das empresa portuguesa com maior reconhecimento nacional, faz parte do meu imaginário de infância e esta presente em quase todos os lares. A sua fundação ocorreu em 1952 e desde então dedica-se à produção e comercialização de produtos alimentares. No seu inicio estava centrada na indústria do tomate porém posteriormente direccionou-se, para outras áreas de negócio tais como os sumos de fruta, néctares, refrigerantes ou mesmo conservas.
A empresa diferenciou-se pela qualidade e inovação dos seus produtos. Sendo o seu lema e assinatura "Compal, é mesmo natural".


http://industriacuf.blogspot.fr/2010/03/anuncios-da-compal.html
Anúncio 1967

A Compal é sem dúvida uma empresa de referência no negócio das bebidas de qualidade com base em fruta. A sua internacionalização iniciou-se em 1999, com a entrada no mercado espanhol de sumos de fruta e bebidas à base de sumos. Actualmente, a Compal está presente em mais de 30 países entre eles: Itália, Angola, EUA e Macau e outros.
Uma das principais mais valias da marca Compal é o seu forte poder de comunicação e em 2002 foi criada uma imagem corporativa diferenciada que assenta no lema “Compal, marcas que fazem boa companhia”. Um exemplo da preocupação em termos de comunicação são  também os sites da compal, que merecem um visita. 
Em 2005, a Compal, integrada no grupo Nutrinveste, foi vendida ao consórcio formado pela Caixa Geral de Depósitos e pela Sumolis (detentora das marcas Pepsi-Cola, 7 Up e Lipton Ice Tea, em Portugal).
No ano de 2007, a Compal arrebatou o prémio Zenith International, na categoria inovação de melhor novo sumo, e na categoria melhor conceito, com o produto Compal Essencial (doses individuais de fruta).
Em 2009 dá-se a fusão Compal e Sumol como resultado da integração de duas empresas
com reconhecimento de qualidade.

Fonte: 
Mendes, Pedro (2009), QUE ESTRATÉGIA PARA ENFRENTAR A PROGRESSÃO DE  MARCAS PRÓPRIAS DO DISTRIBUIDOR? CASO SUMOL+COMPAL, Relatório de Projecto Mestrado em Gestão,  ISCTE 
http://www.compal.pt/
http://compal.wiz.homedns.org/
https://www.facebook.com/CompalPortugal
http://industriacuf.blogspot.fr/2010/03/anuncios-da-compal.html

terça-feira, 10 de abril de 2012

A Páscoa em Castelo de Vide

Sinagoga de Castelo de Vide numa série filatélica lançada pelos CTT em 2010

São ruas estreitas que nas ombreiras das portas têm “tatuados” segredos cujo o tempo não apagou, que jamais apagara e a fonte da vila é ainda hoje uma memória viva de tempos idos em que cristãos e judeus viviam em comunidade, num clima singular de tolerância que deu origem a usos e costumes únicos e particulares no mundo.
Essa carga histórica de tolerância deu origem em Castelo de Vide a uma fusão de cultura e religião que de acordo com muitos investigadores, é única.
A semana da Páscoa é a evidência desta particular e singular mistura e sincretismo cultural.
A Páscoa em Castelo de Vide é a fusão de tradições que consta na rota do Judaísmo como um marco incontornável, atrai todos os anos centenas de visitantes de todo o mundo e é uma referência mundial. D. Afonso IV deu autorização aos Judeus portugueses para terem o seu local de Culto pedindo apenas discrição e assim foi, num clima de tolerância até aos dias de hoje mesmo com o tormento em tempos idos da inquisição.

Quando e porque chegaram os Judeus a Castelo de Vide

Foi em 1492 que os Reis cristãos em Espanha expulsaram os judeus do território, muitos dos expulsos escolheram cidades fronteiriças do Norte Alentejano, onde já desde o século III existiam comunidades judaicas. Castelo de Vide foi uma das mais importantes comunidades da altura, muitos judeus aproveitaram a sua proximidade com Espanha e encaram-na como uma oportunidade para continuar a praticar a sua atividade comercial.
Em 1496, as negociações entre a coroa Portuguesa e a coroa Castelhana afim da realização do casamento de D. Manuel com a Princesa D. Isabel, obedece à ordem régia que obriga a expulsar do território todos os judeus. Aqueles que ficaram foram forçados a negar as suas raízes religiosas e consequentemente a converterem-se ao cristianismo. Depois desse momento muitas foram as formas que os intitulados cristãos-novos arranjaram para ocultar as suas crenças religiosas, dissimulando os seus rituais com as crenças cristãs.
A comunidade judaica que se instalou em Castelo de Vide deixou marcas na população que são muito mais do que a judiaria e a sinagoga. Encontramo-las nos mais diversos momentos desde gastronómicos a festejos da Páscoa ou mesmo nos nomes das famílias locais.

A matança do cordeiro e a refeição da Páscoa 

A partir do pôr-do-sol de sexta-feira entra-se no Sabat, e sábado os judeus entram em período de reflexão e não fazem nada, tradição que todos os judeus crentes e praticantes respeitam.
Alguns fazem a matança no sábado após a tradicional bênção dos cordeiros que se realiza em frente à Igreja Matriz.
O povo hebraico só come dos animais as partes que são consideradas puras, isto é as partes mais nobres. Excluindo o sangue e as vísceras do animal da sua alimentação. Após a conversão forçada a que foram sujeitos e a criação da Inquisição, os denominados cristãos-novos deixaram de poder matar os animais por degola (corte realizado no pescoço), passaram a ter de aparar o sangue ao invez de o deitarem fora como faziam e passaram também a consumir obrigatoriamente as vísceras do animal. Essa mudança de atitude foi implementada para fugir ao controle apertado da Inquisição. 

Porém os cristãos-novos inventaram novas maneiras de se protegerem da impureza dos animais, tais como a lavagem das tripas dos animais com cal branca e após o sangue coalhar traçavam nele uma cruz fervendo-o logo a seguir. Dai nasce o cachafrito que é confecionado em dois tachos que estão lado a lado; num ferve-se a carne para logo a seguir se fritar.

São ainda conhecidos os molhinhos com tomatada, mais uma vez as partes menos puras, as tripas do animal, desta vez atados em pequenos molhos com molho de tomate, mas estas tripas só são usadas depois de lavadas com cal. Neste dia só é servido o cordeiro, nenhuma outra carne é permitida. No Domingo de Páscoa come-se o Sarapatel que é feito a partir das partes do cordeiro que os judeus se recusavam a comer na sua religião de origem. Na sua confeção é usado o sangue do animal devidamente escaldado, pão, laranjas e as vísceras do cordeiro. A tradição mantém-se desde o século XVI.
Os bolos da Páscoa, o folar, o bolo finto, as queijadas, as boleimas e os bolos da massa. O bolo da massa é o Pão Ázimo, os pães que os judeus comem durante a Páscoa em memória da fuga de Israel.
Segundo a história o povo Judeu fugiu da escravidão tão à pressa que não tiveram tempo para deixar o pão levedar, por isso o Pão Ázimo não leva fermento, está interdito aos judeus durante a época da Páscoa. O Bolo Finto e o Folar têm aqui uma forma de cruz ou Lagarto.



Celebrações pascais 
No sábado à noite realiza-se a cerimónia Litúrgica da Aleluia. As pessoas dirigem-se até à igreja levando consigo um chocalho escondido nas roupas. Noutro ponto do país as pessoas dizem que vão à Homilia Pascal ou à Absolvição de Cristo, porém em Castelo de Vide diz-se que se vai ver aparecer a Aleluia.
No momento que o Pároco anuncia a Aleluia, cada pessoa toca o seu chocalho causando uma grande alarido. O cortejo sai pelas ruas da vila e a noite acaba na casa das pessoas, com a família e amigos para comer os doces tradicionais. No Domingo de Páscoa tem lugar uma procissão diferente de todas as que se fazem por esta altura. É organizada pela Câmara Municipal e não pela paróquia, que participa apenas como convidada. Não existem andores ou imagens religiosas e a Igreja aparece representada pelo Pároco que transporta um rosário.
É mais uma celebração pagã do que religiosa.
A Páscoa é o momento mais celebrado do ano em Castelo de Vide.
Também para os judeus a Páscoa é o momento mais marcante e respeitado.


Fonte: 
http://www.esep.pt
http://www.cm-castelo-vide.pt/igrejas_8.htm 
http://noticiasdecastelodevide.blogspot.pt
http://museuartesacracastelodevide.com/

Museu da Sinagoga em Castelo de Cide
Núcleo Museológico da Sinagoga 
Rua da Judiaria
7320
Castelo de Vide
    Telefone: +351(245)901361
    Fax: +351(245)901827




quarta-feira, 4 de abril de 2012

Livraria Lello

Foto: lelloprologolivreiro.com.sapo.pt

A vender livros desde 1881 com umas escadas para o céu.
É um dos pontos incontornáveis na cidade do Porto , a Livraria Lello e Irmão já foi eleita a terceira mais bela do mundo. O edifício em que se encontra foi inaugurado em 1906 e construído pelo engenheiro Francisco Xavier Esteves. Diferencia-se pela sua fabulosa fachada Arte Nova, com anotações neogóticos. O seu interior é magnifico e para além dos livros, que são verdadeiras preciosidades, pode contemplar-se um ambiente mágico e único, onde é de destacar a soberba escadaria que nos leva ao piso superior e as decorações em gesso pintado, a reproduzir madeira, não pode deixar de olhar para o teto onde pode contemplar um belo vitral. Considerada como uma “pérola da arte nova”

Rua das Carmelitas 144
Porto
4050-161PORTO
Tel.:222002037
lelloprologolivreiro.com.sapo.pt/