quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Pastéis de Bacalhau

A primeira vez que aparece referência é na Arte do Cozinheiro e do Copeiro que data de 1841 do Visconde de Vilarinho de S. Romão (1785-1863), com o nome de «bacalhau feito em bolinhos», bolinhos esses que correspondem hoje àquilo que chamamos pataniscas.

Já com o nome de «bacalhau em bolinhos» surgem no Formulário Para Cozinha e Copa no ano de 1860, um artigo assinado por Hum Curioso da Província do Minho, pseudónimo de João Borges Pacheco Pereira da Rocha Pimentel (1802-1873), muito parecidos com os atuais, expecto no facto de aparecer pão ralado em vez de batata e do borrifo com pós de açúcar. Surgem outra vez na Arte de Cozinha decorria o ano de 1876 por João da Mata.




Apareceu pela primeira vez registada no Tratado Completo de Cozinha e de Copa no ano de 1904, de Carlos Bento da Maia, pseudónimo que corresponde ao oficial do exército Carlos Bandeira de Melo (1848-1924), com o nome de «bacalhau em bolos enfolados».
Hoje em dia não deixam de ser mencionados com a designação de «pastéis» ou «bolos de bacalhau». Existem variadíssimas receitas desta especialidade tão portuguesa com variações de Norte a Sul do pais, de textura e sabor embora todas elas mantenham os mesmo ingredientes estruturantes os ajustes que cada um faz dá uma particularidade única a cada pastel.
Fazem parte das mesas portuguesas e foram considerados no concurso para a escolha das sete maravilhas da gastronomia portuguesa, conseguindo ser um dos finalistas ocupando o 21º lugar. 

A minha receita, oferecida gentilmente pelo meu pai cuja vida se mistura com a vida militar e a cozinha, coincidências deliciosas.

Foto: M&S

Duas postas de bacalhau
Quatro batatas cozidas com casca 
Duas a três gemas de ovos
Cebola picada mas bem picada
Dois a três dentes de alho picados
Salsa fresca também picada
Sal e pimenta q.b.
Óleo para fritar
Receita do Super Chefe João Belém



Fonte: www.gastronomias.com






quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Fado


Óleo s/ tela

José Malhoa

1910

Dim.: 1525mm X 1855 mm
Nº Inventário: MC.PIN.1
Localização: Temporariamente em exposição no Museu do Fado

O Fado pode ser encarado como um objeto etnográfico por excelência, ou ainda como um dos aspetos centrais da cultura popular portuguesa. Povo que canta o destino, com alma, sentimentos, dando aso ao acaso e ao improviso. Virados para o mar abraçamos o horizonte e puxamos sentimentos guardados deixando vozes vibrantes cantar no sentido da alma. Mas o fado não se resume à construção as emoções do povo português.
Lisboa cidade portuária que faz sonhar com novos mundos, ponto de partida e de chegada, cidade de marinheiros e de viajantes. Imaginar a cidade noutros tempos faz sonhar como seria a vida, o destino dos seus habitantes, qual o seu fado?
Um enorme misticismo remete-nos para os meandros da cidade, as pessoas que a habitam. Em traços de cor e sons ficamos com os sentidos apurados.

O fado nasceu, foi construido e projetado num e de um meio popular. Falar de Fado é falar de dois polos que se atraem e se repulsam não esquecendo a história que carrega.
Numa primeira fase do século XIX podemos identificar o fado como um fenómeno musical numa breve contextualização histórica de 1801 a 1834 Portugal passa por uma invasão Espanhola às terras de Olivença, as tropas de Napoleão em território nacional de 1808 a 1811, já em 1820 passamos por uma Revolução Liberal e em 1822 D. João VI regressa do Brasil depois da independência do pais, com o seu regresso e da criadagem assiste-se a um aumento da população local. De 1828 1834 uma guerra civil que com a vitória de D. Pedro e o fim do antigo regime, das ordens religiosas e do trafico de escravos verifica-se uma abordagem a novos modelos na sociedade e por sua vez da sua representação. A instabilidade que se fez sentir só abranda na segunda metade do século XIX, onde se encontrou estabilidade institucional e jurídica. É neste ambiente e inserido neste contexto que o Fado foi identificado primeiramente na cidade de Lisboa, pela voz da mulher que lhe deu voz, Maria Severa. 

Maria Severa 


Esta mulher viveu nos períodos de maior turbulência desde a Revolução Liberal de 1820 à Revolução da Maria da Fonte (1846).
O mito existente entre a relação de Maria Severa e um aristocrata faz os polos da sociedade tocarem-se na história das praticas sociais e culturais implicadas no fado, verificamos assim a interação entre aristocracia e povo.
Usando uma lupa para ver de perto a população da altura conseguimos ver a uma população iletrada e marginal, muitas pessoas sem emprego estável. Por sua vez uma aristocracia, regra geral, retrógrada, vivendo a perda do seu estatuto, temos também uma classe operária protagonista das primeiras greves nas indústrias e resta ainda uma pequena e média Burguesia.
A classe operária vê no Fado uma forma de luta e utiliza-o como meio catalisador das suas sociedades, procurando nele uma voz de luta e uma forma reivindicativa e definidora de direitos e valores de quem lhe dá voz.
Já a pequena e média burguesia que frequentava o teatro de revista torna esse o veiculo para a fixação do fado como cânone e o meio mais eficaz para a sua difusão pelo pais.

O Fado ganha protagonismo 


O fado é acima de tudo uma forma de sociabilizar associada ao ócio e ao lazer de quem frequenta cafés e restaurantes. Este é um meio utilizado para reproduzir a sociedade da época numa narrativa histórica e atemporal.
Outra dualidade no Fado: Razão e Paixão, esta abordagem muitas vezes feita por sociólogos, antropólogos. Um dos mais importantes etnólogos Rocha Peixoto disse em 1897 “cruel e triste fado, denuncia um traço de decadência”
Vários discursos sobre o fado foram feitos e destacam-se dois períodos. O primeiro refere-se aos anos 10 do século XIX em que “o fado como um mal causador de males” distinto de um fado como “instrumento importante para a transmissão de valores”. Um segundo período refere-se aos anos anos 30 do século XIX e surge nesta altura a discussão acerca da defesa ou rejeição do Fado.
Resumindo o Fado passou por inúmera variações temporais e se nos anos 30 do século XIX a Severa e o Conde do Vimioso ajudaram a precisar o fado numa perspetiva mítica, nos anos 60 surge uma nova fase que inaugura um processo de definição de vários géneros de Fado e também vários modos de os executar. Já no último quartel do século XIX, surge uma dupla associação social do Fado: uma corrente aristocrática e uma circulação em ambiente popular. O Fado seria desta forma excelente para realizar uma crónica dos meios populares da cidade.
Após a implantação da República em 1910 assistimos à sua propagação aumentando visivelmente os locais onde se cantava.
Nos anos 20 discute-se se o Fado deve continuar nos meandros onde nasceu ou se por sua vez deve ser levado para as grandes salas de espetáculos. O golpe de estado de 1926 põe fim ao regime republicano e vai interferir na dinâmica da cidade criando instituições de controlo que bloqueiam e esterilizam a evolução social. Os poemas são censurados, a versão dinâmica desta prática é bloqueada e a expressão popular do improviso é abalada.
Amália Rodrigues nos anos 40 restabelece esta forma musical, dando-lhe um forte impulso e uma inegável e louvável visibilidade.

Amália Rodrigues 


Atualmente o Fado é um dos maiores pilares da cultura popular portuguesa e a voz de um povo que canta a saudade num destino consentido ou não. A própria palavra Fado vem do latim fatum isto é “destino”, remete também para os cânticos dos Mouros, que permaneceram no bairro da Mouraria em Lisboa após a conquista cristã podendo então associar-se essa forma de cântico ao Fado ainda que de forma ingénua segundo especialistas na área de etnomusicologia.
O Fado é envolvido em todo o seu misticismo e história e requer silêncio para ser cantado, respeito pelos artistas e pelo momento. O fadista canta de pé acompanhado normalmente por dois tocadores um de guitarra portuguesa e outro de viola posicionados atrás do fadista. O espaço é normalmente intimista e a luz é reduzida ou mesmo à luz de velas, o traje é escuro e o xaile preto na fadista é um acessório em destaque. Até aos anos 30 o xaile usado era colorido e muito popular em dias festivos, Amália introduziu o xaile preto.
Hoje em dia o Fado é um símbolo não só de uma cidade como Lisboa e Porto ou posteriormente Coimbra com a tradição do Fado Universitário mas o símbolo de todo o pais, é intemporal e sofreu estereótipos da própria sociedade contudo sobreviveu ao tempo, sabendo reinventar-se e legitimar o seu estatuto. 

Cartaz da época

Foi inspiração para pintores, poetas, artistas, músicos, encenadores e tem atualmente uma presença marcada na cidade de Lisboa através das inúmeras casas de fado das quais destaco a Tasca do Chico no Bairro Alto. Existe também um Museu em Lisboa onde podemos encontrar um acervo significativo sobre esta temática. O fado já é património cultural imaterial da humanidade.  

O cruel e triste Fado
Rocha Peixoto
Introdução de João Leal

O Fado e a cidade
Joaquim Pais de Brito
Entrevista conduzida por José Manuel Sobral
Penélope: Fazer e desfazer História
Publicação quadrimestral – nº 13 - 1994

O Fado é o coração: o corpo, as emoções e a performance no Fado
Paulo Valverde

Museu do Fado
Largo do Chafariz de Dentro, N.º 1
1100-139 Lisboa
http://www.museudofado.pt/
Como chegar
Comboio
Estação Santa Apolónia
Metro
Estação Santa Apolónia
Autocarro
28, 735, 794, 745, 759, 790






segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Vinho do Porto

Para o vinho do Porto só existe um copo: Cálice
Mas uma variedade de cores e sabores

É um dos produtos portugueses mais conhecidos a nível nacional e internacional e um dos mais apreciados. Podendo até ser apelidado de “precioso néctar Português” ou ainda o “Néctar dos Deuses”.
Está presente em quase todas as casas portuguesas principalmente nas casas portuenses anfitriãs do precioso néctar que brinda quase todos as cerimónias e ritos de passagem da nossa sociedade. Apreciado por todas as classes sociais, todos as idades, todos os gostos é uma bebida carregada de história e tradição que anima e alegra os mais céticos.
Este vinho é produzido na região demarcada dos vinhos do alto douro, território distinguido como património da humanidade com características muito específicas, incluindo a categoria de paisagem cultural. Os três critérios tomados pela UNESCO em 2001 foram: a produção de vinhos na região à mais de 2000 anos, cujas atividades humanas associadas moldaram e conferiram um carácter único ao território; associação a todo um modo de vida vinícola que cria um modo de vida próprio e único e uma consequente paisagem associada; a evolução da paisagem vinícola conseguindo refletir a sua evolução no decorrer do tempo. (Correia: 2005)
Nesta região estamos perante uma das mais belas paisagens de Portugal e do mundo que sobreviveu e se transformou com o tempo e os seus habitantes. É nas encostas e nos vales que penetram para o interior a partir das margens do Rio Douro que podemos apreciar essa paisagem única e encantadora que nos faz sonhar. 

Paisagem do Douro
(Fonte;http://www.rvp.pt)


O impulso deu-se principalmente no segunda metade do século XVII, com o reconhecimento internacional de viajantes e comerciantes essencialmente de origem inglesa, que se aperceberam e encantaram pelo néctar português, distinguindo-o pelas suas características singulares e únicas. Vinhos doces e densos ganham prestígio internacional e começam a ser comercializados internacionalmente e consequentemente a sua produção intensifica-se.
Decorria o ano de 1703 e o tratado de Methwen deu-se e desde então impulsionou-se a forma e o desenvolvimento viticultura duriense, começando então a crescer um amplo mercado. As vinhas multiplicaram-se dando a imagem de uma enorme escadaria rio acima onde encontramos pessoas que se aglomeram em aldeias e também grandes proprietários.
Marquês de Pombal afim de manter a qualidade e salvaguardar essa produção fundou em 1756, a Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro conferindo-lhes poderes quase monopolísticos.
Mais tarde em 1834 restabeleceu-se a liberdade comercial vinícola, recebendo a produção grandes estímulos. 

Selo de Qualidade


Contudo o século XIX foi o mais problemático para esta atividade e sentiu-se o flagelo e a miséria de muitas famílias apesar de o vinho fino como é conhecido pelos portuenses manteve-se inalterável graças às suas características únicas e prestígio consagrado tanto no mercado interno como externo. Mais uma vez um ajustamento da regulamentação de qualidade a que é sujeito e que lhe dão um dos patamares mais altos na exportação e reconhecimento de produtos portugueses pelo mundo. 


Temos atualmente a confraria do Vinho do Porto, museu do Vinho do Porto e um mercado mundial que espera saborear o néctar único que nasce numa paisagem particular, em terrenos específicos, com um clima excecional e fundamental para a qualidade deste produto. Mas o mais importante são os braços, pés e pernas das pessoas maravilhosas que seguramente tornam este Vinho do Porto o fruto do seu amor ao trabalho, à terra e à vida neste cenário de sonho. 

Vindimas 
(Fonte;http://www.rvp.pt)

Ritual 
(Fonte;http://www.rvp.pt)


Nome: Antónia Ferreira

Data nascimento: 1810
Data morte: 1896
Dona Antónia Ferreira, mais tarde “rainha do Douro”, é uma das figuras mais importantes da história do vinho do Porto. Foi administradora da maior casa agrícola do Douro, depois de ficar viúva e assumir os negócios do marido. Foi muito empreendedora na região do Douro: construiu estradas em áreas de difícil acesso, financiou a construção de hospitais e escolas e na sequência da crise duma crise de abundância, comprou todo o vinho do Douro para ajudar os agricultores no combate aos preços baixos praticados na época. Depois da praga da filoxera, mandou replantar milhares de hectares de vinha.
(Fonte:http://cct.portodigital.pt/gen.plp=vinhos&op=culturahistoria:personalidades&sid=cct.sections/19)

O meu preferido 

Caves Porto Ferreira
Av. Ramos Pinto, 70
4400-082 Vila Nova de Gaia
Telf:223746107



Temos ainda o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto

O Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I. P., designado por IVDP, I. P., é um instituto público, integrado na administração indireta do Estado, dotado de autonomia administrativa e financeira e património próprio, sendo um instituto público de natureza interprofissional, nos termos do Decreto-Lei n.º 47/2007, de 27 de Fevereiro.
O IVDP, I. P., é um organismo central com jurisdição sobre todo o território nacional com sede em Peso da Régua e dispõe ainda de um serviço desconcentrado, com a designação de delegação, com sede no Porto.

O IVDP, I. P., tem por missão promover o controlo da qualidade e quantidade dos vinhos do Porto, regulamentando o processo produtivo, bem como a proteção e defesa das denominações de origem Douro e Porto e indicação geográfica Duriense.”

A rota do Vinho do Porto é também um otimo site a visitar http://www.rvp.pt

Museu do Vinho do Porto

Num armazém do séc. XVIII, dos Vinhos da Companhia Geral da Agricultura da Vinhas do Alto Douro, esta o Museu que se assume como o centro de informação do Vinho do Porto, incentivando os visitantes à descoberta da história comercial da cidade relacionando-a com o vinho do Porto.
Rua de Monchique, 45 - 52
Porto
222 076 300
222 076 309
Terça a sábado 10.00-12.30/ 14.00-17.30
Domingo 14.00-17.30
Encerra às segundas e feriados
2,06 € Gratuito ao sábado e domingo

Museu do Douro
Contactos:
Fundação Museu do Douro:
Rua Marquês de Pombal
5050-282 Peso da Régua
Telefone: 254 310 190
Fax: 254 310 199
Horário de Abertura ao público da Sede:
Das 10h00 às 18h00. As áreas expositivas encerram durante o período de almoço (das 13h00 às 14h30).
Encerra às Segundas-Feiras.
Horário de Abertura ao público da Galeria Ramos Pinto:
Das 10h00 às 12h00 e das 15h00 às 18h00.
Encerra às Segundas-Feiras.
Área de Exposições do Museu do Douro - "Memória da Terra do Vinho"Rua da Ferreirinha, 43
5050-256 PESO DA RÉGUA
Telefone: 254 324 177

Horário de Abertura ao público da expo MTV:

De Terça a Domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h00.
Encerra às Segundas-Feiras.

Preço dos bilhetes:
5€ (bilhete único, que dá acesso às exposições temporárias e à exposição permanente do Museu do Douro).
http://www.museudodouro.pt


Fica o convite 




Vinho do Porto

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B

Vinho do Porto

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