segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Limonada Lisboeta


Conhecida como Casa das Limondas a Merendinha Bar, foi fundada em 1936 pelo Senhor Outerelo. Fica próximo do Tribunal da Boa Hora na Rua Nova de Almada, diziam que era única graças ao bom Limão comprado diariamente no Mercado da Ribeira, em tempos chegou a servir 250 limonadas.
Receita: Espremem-se dois limões do mercado, junta-se uma colher de sopa de açúcar, água da torneira bem geladinha.
Ao fim de 74 anos este espaço mítico da limonada lisboeta fechou portas, mas o bom é que reabriu com nova gerência, novo visual e novas opções. Renasceu com novo conceito: o Liquid Merendinha. 



Liquid Merendinha: Rua Nova do Almada, 45A (Chiado).
91 312 2334.
Seg-sáb 08.00-19.00.
http://www.liquid.pt/


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Tapetes de Arraiolos

Tapetes de Arraiolos, nas Ruas da Vila que os viu nascer.


Não existem investigações que atestem a data exata do início dos tapetes de Arraiolos contudo os exemplares mais antigos apontam para o século XII e indicam que terá vindo para Portugal por influências árabes.
Os bordados de Arraiolos estão ligados aos tapetes que chegaram até aos dias de hoje e à localidade que lhe deu o nome Arraiolos. Estão espalhados por vários museus exemplares valiosos que atestam o gosto e a vida de Portugal nos Séculos XVII e XVIII.
A dualidade que podemos encontrar entre o artístico e o artesanal esta sempre presente e o estudo destes tapetes tem seguramente um enorme valor no campo da antropologia cultural quer pelos seus desenhos e motivos bordados quer pela sua estrutura.

Os “Arraiolos” são tapetes bordados, inicialmente sobre uma tela de linho, utilizando um ponto cruzado, hoje vulgarmente conhecido como ponto de Arraiolos. A designação do ponto sugere o seu aparecimento na sua localidade. No entanto, o ponto já é conhecido na Península pelo menos desde o séc. XII. Existem trabalhos portugueses e espanhóis noutro tipo de objetos (bolsas de corporal, tiras bordadas) em que o ponto é exatamente o mesmo, só que executado em seda e cumprindo desenhos muito mais pormenorizados. As nossas bordadoras dos tapetes tiveram o arrojo de trocar a seda pela lã, o suporte linho ou seda finos pelo linho grosseiro, a peça de altar ou o requintado adorno pela criação de objetos cujo destino seria serem pisados ou cobrirem arcas. Por outro lado, o desenho base dos Arraiolos nunca é concebido para tal, é sempre um desenho pré-existente.”...Cópia rigorosa das tapeçarias persas”, diz Sebastião Pessanha.”
PEREIRA, Teresa Pacheco ,Tapetes de Arraiolos , Estar Editora, Lisboa, 1997, p.11.

Na vila de Arraiolos no século XVIII já era vulgar a prática de bordar tapetes, sendo o tapete mais divulgado o “Tapete dos Bichos” que consistia no desenvolvimento de vários desenhos de animais que se desenvolvem em torno de um medalhão central.
Após o século XVIII os desenhos afastam-se dos originais, no início do século XIX assistimos à decadência da indústria e os desenhos e as cores alargam-se. As cores que predominavam eram o vermelho, amarelo, verde, azul.
Nos primórdios que executava esta tarefa dos tapetes eram as Damas nos tempos livres, como tarefas de lavores caseiros ou nos conventos.
Em meados do século XVII as suas executoras libertam-se do tear e iniciam uma nova fase onde trocam o tear pela agulha, deixando assim de tecer e passando a bordar. 

Bordadeira anónima


Estes tapetes tem sido agrupados por épocas:
- Primeira época corresponde ao século XVII, influência persa na composição decorativa, alusão a alguns motivos geométricos inspirados em mosaico e azulejaria, bordado feito sobre linho. 


Um dos exemplares mais antigos
Museu Nacional Soares dos Reis, Porto
Suporte: fio de linho. 
Bordado: fios de lã polícromos. 
Portugal
Séc. XVII 
190 x 142 cm
Inv. 109 Tex CMP/ MNSR

Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa 
Arraiolos, Portugal
século XVII
Linho e lã. Bordado a ponto cruzado, vulgarmente chamado de Arraiolos
C 340 x L 213 cm
Convento de Santa Helena do Calvário, Évora, 1889
MNAA inv. 39 Tp


- Segunda época inícios século XVIII na qual predominam desenhos de inspiração popular valorizados com motivos orientais. Introduzem-se os animais e as figuras humanas com elementos florais. Crescimento da indústria dos tapetes na vila de Arraiolos.



Museu Nacional Machado de Castro
Tapete de Arraiolos
Séc. XVIII
MNMC 1219
182,5 x 363 cm
Mosteiro de Santa Clara de Coimbra
MNMC 1219

 -Terceira época finais de século XVIII e início século XIX. Vão desaparecendo os motivos orientais  e os arabescos e gradualmente introduzem-se motivos populares.

Bordadeiras anónimas 








terça-feira, 23 de agosto de 2011

Olaria Pedrada - Nisa

Pote com decoração barroca de estilo moderno, com apenas uma ida, pedra nº2

Trabalho minucioso de mãos femininas 
Desconhece-se até ao momento quais as origens precisas e exatas das olaria pedrada de Nisa. 
O que se sabe é que a olaria pedrada esta intimamente ligada à preservação da água e é uma tradição bastante antiga. É típica na região do Alto Alentejo, principalmente em Nisa e Estremoz, embora essas duas localidades abordem a técnica decorativa de forma diferente. 



Inicialmente a principal função desta olaria era a conservação de água fresca para uso essencialmente doméstico assim como o seu transporte pelos viajantes e trabalhadores rurais que passavam ou trabalhavam na região.
Na sua feitura entram dois tipos de barro , o barro branco e o barro preto podendo ser usado ainda no acabamento da peça o barro vermelho. Na sua decoração, empregam-se fragmentos de quartzo frequentemente incrustação por mulheres, sendo os motivos florais os mais frequentes.

Mãos femininas ao trabalho

Dada altura verificou-se uma procura crescente destas peças para fins decorativos. O que veio originar posteriormente uma adaptação na tipologia e execução na decoração das peças. Deu-se o início ao fabrico de novas peças para além do tradicional vasilhame. Na tentativa de corresponder a procura de mercado começaram a produzir-se artefactos decorativos: travessas, jarras, pratos, pequenas réplicas de animais, além de outros objetos.

Gaspom com decoração simples. Peça para flores


A decoração das peças começou a ser utilizada a pedra de menor calibre (nº 1 e 2) somente numa ou duas linhas ou idas, conforme atesta o povo.
 
Moringue com decoração de tipo antigo, em pedra grossa e com duas idas 

Pote com decoração moderna, ao estilo barroco, pedra nº2

Contacto:
Edifício da Cadeia Nova, Largo da Cadeia Nova

6050-363 NISA, Portugal

Tel.: 245 429 426

Fax.: 245 412 799 

Câmara Municipal de Nisa


Museu@cm-nisa.pt

www.cm-nisa.pt








segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Andorinha & Casa Portuguesa

Andorinha de Bordalo



Um visionário, com ou sem tomada de consciência antropológica o certo é que Rafael Bordalo Pinheiro, por volta de 1891, iniciou na sua fábrica a produção de andorinhas em cerâmica desenhadas por ele próprio.
Ave migratória que quando regressa a um determinado sítio procura construir o seu ninho sempre no mesmo sítio. Tem um único parceiro ao longo da vida, posto isto assumiu um simbolismo associado a valores como o Lar e a Família, mas principalmente, o Amor, a Lealdade e a Fidelidade.
Assim sendo pela identificação com a mensagem expressa no seu simbolismo, vulgarizou-se a troca de andorinhas cerâmicas entre os amantes. Eram usadas não só como gesto de amor ou troca simbólica, mas igualmente como uma espécie de amuleto de harmonia, felicidade e prosperidade no lar e da sempre sagrada família.


Foto de Galeria de silvia [raparigascomonos®]




O voo mágico das aves deverá agora em nós despertar sentimentos de pertença e de identificação... porque não começar de novo a oferecer andorinhas a quem mais amamos num gesto discreto simbólico e mágico de multiplicar o amor pelos lares portugueses.  




quinta-feira, 18 de agosto de 2011

ContraDança

À memória do meu avô Constantino Vicente Ferreira, que sempre me falou da dança que tinha aprendido na sua Aldeia e que só alguns praticavam. Ele era “mandador” e sentia um orgulho imenso quando se referia a esta dança, recordo a ternura e o seu saudosismo da juventude quando recordava os seus tempos altos. Revejo os seus olhos a brilhar e o seu sorriso rasgado, memórias de memórias. São boas e guardo-as comigo num baile de aldeia num Agosto quente. Ao luar no Monte das Violetas onde as conversas em família corriam até ao amanhecer! Segundo me contou já seu pai meu bisavô Jerónimo Ferreira dançava esta “moda” como lhe chamava, curioso é saber que meu bisavô participou na 1ª Guerra Mundial onde esteva na Guerra das trincheiras em França. Não sei se a “moda” veio de lá ou não mas um cruzamento histórico de certeza que houve.

Figuras da contradança, segundo a edição discográfica de Chants du Monde, a partir da 

obra de John Playford.


Contradança é uma das danças que se tornou característica em Portugal e é interpretada por numerosos grupos folclóricos. Trata-se de uma dança ou, melhor de uma mistura de várias danças com melodias diversas, obedecendo quem a executa à voz de alguém que manda.
Faz de algum modo lembrar a tradicional dança algarvia “baile mandado". Foi a contradança uma dança muito apreciada nos bailes que se organizavam nos finais do século passado, nomeadamente no Palácio das Laranjeiras, no dos Condes de Farrobo e até na corte então instalada no Palácio da Ajuda.
Igualmente ao que sucedeu com o folclore austríaco que viu as suas valsas invadirem os salões aristocráticos, também a contradança acabou animando os bailes da corte e da nobreza europeias e inclusive inspirar grandes compositores como Mozart e Wagner.
“Na realidade e sem pretender contestar à influência que nalguns casos poderão ter exercido os soldados portugueses que regressaram de França e das trincheiras da Flandres, integrados no Corpo Expedicionário Português, tudo leva a crer que a contradança aparece no nosso país por altura das invasões francesas e ainda, muito provavelmente, em virtude dos numerosos portugueses que ingressaram as tropas napoleónicas.” Carlos Gomes  
A influência francesa nas origens da contradança no nosso folclore, são inegáveis como atestam algumas expressões empregues pelo mandador aquando da sua execução. Porém, não é de excluir alguma influência que poderão ter exercido os militares ingleses que então combateram ao lado dos portugueses o invasor napoleónico e por cá permaneceram enquanto a corte de D. João VI esteve exilada no Brasil. 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Filigrana Portuguesa

Coração de Viana


A filigrana é um trabalho minucioso e ornamental que é realizado com perícia e delicadeza. É uma técnica de ourivesaria, e insere-se no tipo de ourivesaria popular, apesar de não ser específica da nossa tradição cultural encontra-mo-la noutros países e culturas, pode ser considerada uma das formas mais características das artes portuguesas.
Pequenas bolas de metal e fios muito finos soldados e achatados provocando o efeito trança, de forma a obter desenhos como estes.

Cruz de Malta



Metais como o ouro e a prata são os mais trabalhados nesta arte, e estão presentes na história da humanidade nunca caindo em desuso, desde a Antiguidade até aos dias de hoje. 
 
Recriação contemporânea de Joana Vasconcelos  



No norte do pais a tradição da filigrana continua presente nos adornos das mulheres minhotas, desde os trajes de noivas, aos trajes dos ranchos folclóricos e até no café de domingo à tarde.

Brincos Rainha


Vamos até ao 3º milénio a.c. no Médio Oriente onde a filigrana foi difundida periodicamente: na época romana; na idade Média, na Sicília e em Veneza, na época Barroca, e em finais de 800 e princípios de 900. Técnica aperfeiçoada pelos Etruscos, pode dar-se o nome de “Granulado”, já em Génova cidade essencialmente de marinheiros recebeu o nome de “casco”, pela analogia com o casco dos navios, dai também o nome de “armação”.
De destacar duas correntes que tem acompanhado a filigrana ao longo do tempo em relação à sua produção e ao seu uso: num primeiro momento, apresenta-se como artefacto secundário da joia, como técnica de primor e de alto sentido artístico, aplicada a adereços de luxo, de uso profano e sagrado, com refinado e apurado gosto no desenho, cujo imaginário e configuração artística contribui para que se integre num tipo de ourivesaria própria das classes mais elevadas e abastadas. Até ao século XIX permanece como técnica de aplicação.

Brincos de Fuso



Num segundo momento, integrado no segundo quartel do século XIX, apresenta-se já como técnica de integração. Ganha lugar como peça individualizada sobre um esqueleto, estrutura ou armação, pode dizer-se que o filigraneiro teceu, ergueu, construiu, armou com fios delicados toda a “arquitetura” da sua obra.
Esta arte é classificada como popular, porque é produzida nos entre as tarefas do campo em determinadas regiões, principalmente nos arredores do Porto. Surgem desta forma os típicos corações com grandes dimensões, os crucifixos, as cruzes de Malta, as arrecadas, os colares de conta, os brincos de fuso e à rainha. É inegável que todo o ouro filigranado é, não só um artefacto ou um ornamento, mas também uma capitalização certa e segura de economia caseira, essencialmente nos meios rurais. 




Oficina do Ouro
Sobredelo da Goma
4830-717 Póvoa de Lanhoso
Portugal
Telef. Fax: (00351 253943945
Email: atendimento@oficinadoouro.com