quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Galo de Barcelos

Foto: M


Portugal e os seu ícones! Barro matéria prima de fácil e barato acesso é utilizada de norte a sul do país. Em Barcelos a figura do Galo é a expressão artística mais marcante e atualmente continua a ser uma das imagens mais populares.
A figura do galo sempre associada ao positivo desde os galos nos cata-ventos das igrejas medievais que pode ser assumido como figura protetora ao galo que nos desperta pela manhã numa imagem romântica da vida do campo
Várias lendas estão associadas ao Galo de Barcelos no site da Câmara Municipal de Barcelos remete-nos para a época medieval e conta a epopeia de um peregrino a caminho de Santiago de Compostela que foi salvo da forca graças ao cantar de um galo que se fez ouvir de forma surpreendente depois de morto.
O carinho dos portugueses por este ícone foi ganhando dimensão e ganhou visibilidade internacional, ainda que sob alguma cumplicidade política, pela primeira vez em Genebra na Exposição de Arte Popular Portuguesa no ano de 1935. Um ano depois esta exposição repete-se em Lisboa com um enorme sucesso .
Foi na década de 50 e 60 que ganhou visibilidade e se tornou num dos símbolos do turismo nacional assim como forte representante da cultura popular portuguesa, do turismo, da tradição. A sua popularidade crescente deu visibilidade a Barcelos e aos seus artistas locais que orgulhosamente exibiam os seus galos nas festas e mercados locais. 

Museu da Olaria Barcelos, Nº de Inventário – MO1671; Artista: Rosa Barbosa Lopes (Rosa Ramalho), 1965


Excelente produto de Marketing nacional que se liberta da carga política depois dos anos 80 e abraça novos desafios ao ser recriado pelos mais contemporâneos artistas nacionais que lhe dão nova vida e novo estilo fazendo a ponte entre tradição e a modernidade.
As cores garridas e o fundo preto dão lugar a novos visuais e sugerem a criatividade de quem os reinventa.


Museu da Olaria Barcelos, Nº de Inventário – MO95-1.2; Aartista: Júlia da Rocha Fernandes de Sousa (Júlia Côta), 1984


Museu da Olaria

Rua Cónego Joaquim Gaiolas
4750-306 Barcelos
http://www.museuolaria.org
Telefones: 253 824 741 | 253 809 642
 Fax: 253 809 661




quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sardinha




Na minha cabeça à uma ligação direta entre Sardinha e Lisboa talvez seja o reflexo de uma poderosa campanha de marketing que espalhou Sardinhas pela cidade nos últimos anos. São coloridas, divertidas, criativas e aparecem aos cardumes. É uma forma de mergulhar no mar sem sair do lugar, um passeio pela imaginação de quem lhes dá forma. São as rainhas das festas de Lisboa e das ruas da capital que ficam mais perfumadas e encantadas, foram até criadas confrarias da Sardinha, para as salvar, imortalizar e preservar, um compromisso também cultural. 




As sardinhas são peixes da família Clapeidae, normalmente pequenas entre os 10 a 15 cm de comprimento, (diz o ditado popular:“a Sardinha quer-se pequenina”) uma das suas características é só terem uma barbatana dorsal e sem espinhos, ausência de espinhos na barbatana anal, caudal biforcada e boca sem dentes e de maxila curta, com as escamas ventrais em forma de escudo. O seu nome vem da Ilha Sardenha onde eram abundantes. Formam grandes cardumes que se alimentam de plâncton e são ricas em ômega-3. 



A atribuição do certificado de qualidade MSC (Marine Stewardship Council) à Sardinha portuguesa ocorreu no dia 15 de Janeiro de 2010, no Auditório da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar. A Sardinha é já um símbolo nacional e foi ganhando cada vez mais estatuto e atualmente a sardinha capturada na costa Portuguesa é a única espécie de peixe em toda a península ibérica e a 60ª a nível mundial a possuir tal certificação de qualidade. Verifica a existência de práticas que tendem a diminuir o impacte ambiental causado e que contribuem para a sustentabilidade desta pescaria. Por ano são capturadas cerca de 60 mil toneladas de Sardinha em toda a costa Portuguesa avultando faturações de muitos e muitos milhões de euros. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Vidros Marinha Grande



Segundo informação retirada da site da Câmara Municipal da Marinha Grande, já no século XV teria sido instalado na Marinha Grande um forno para apoio da reparação dos vitrais do Mosteiro da Batalha.
O vidro era obtido através da incineração de produtos naturais com carbonato de sódio. Existem registos de vários fornos para a produção em Portugal, contudo foi lenta a passagem de uma produção artesanal e limitada, para a produção industrial.
Mas foi no ano de 1748 que o irlandês Beare transfere a fábrica que explorava em Coina em consequência da falta de combustível para a Marinha Grande que beneficiava da proximidade do Pinhal de Leiria. A abundância de matérias primas e de carburante permitiram o fomento dessa indústria na região.



Só em 1769 o inglês Guilherme Stephens beneficiado pelo alvará de D. João V e com todo o apoio de Marquês de Pombal fez renascer a fábrica e dá-lhe um novo impulso e prestígio em vidro manual soprado que deram à Marinha Grande o estatuto de Capital do Vidro. 



Por sucessão surge o seu irmão João Diogo e todos os apaixonados desta arte que marcou e continua a marcar gerações e gerações de marinhenses cuja vida é dedicada à arte de fazer vidro. Dando continuidade à tradição plurissecular da arte do fogo, aliando e introduzindo técnicas inovadoras.



Peças : Depósito da Marinha Grande 
Lisboa - Lapa
R São Bento 159,1º-D, Lisboa
1200-817 LISBOA
telf: 213 955 818 
fax: 213 965 693

geral@dmg.com.pt



A indústria de vidro é composta por três sub-sectores:
O vidro plano
O vidro de embalagem
A cristalaria

A produção de um artigo de vidro é composta por duas fases:
A produção da peça lisa, sem decoração
A peça acabada que inclui operações como a lapidação, foscagem (a ácido ou a jacto de areia), pintura e pantogravura.

Museu do Vidro – Marinha Grande



Emília Margarida Marques
Os Operários e as suas Máquinas: Usos Sociais da Técnica no Trabalho Vidreiro, 
2009, FCT/FCG

O museu do vidro no Palácio Stephens
Praça Guilherme Stephens
Marinha Grande 
2430-960 Marinha Grande
Telf: 244573377/244561710
www.cm-mgrande.pt











segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Pão de Castella



Foi introduzido pelos mercadores portugueses no Japão há mais de 500 anos, como Pão de Castela, tornou-se ao longo dos séculos numa das sobremesas japonesas mais típicas, sendo conhecido como o Castella ou Kasutera.
Levado para o Japão pelos portugueses no século XVI e popularizado pelos japoneses. Acredita-se que o nome possa ter derivado de uma região denominada Castela, em Espanha. No século XVI, um navio Português atracou em Nagasaki, o porto de comércio japonês. Os Portugueses trouxeram muitas coisas para o Oriente e a Kasutera foi uma delas. Este bolo pode ser conservado por um longo período de tempo, por isso era necessário para os mercadores que estavam em alto mar durante longos meses. Era um doce precioso uma vez que o açúcar tinha um preço muito elevado e foi servido para os enviados da Coreia. Mais tarde, começaram a fazer ‘kasutera japonesa’, a receita original do bolo foi lentamente alterada para se adaptar ao paladar dos japoneses sendo atualmente confecionado com vários sabores: chá verde, chocolate ou côco.
Apesar de seu nome ser de origem portuguesa, as suas raízes são espanholas, uma receita provavelmente descendente do biscocho que era similar ao pão-de-ló preparado nos mosteiros e conventos da região de Castela.
O popular bolo é muito apreciado em várias circunstâncias tanto em festividades como em festas de rua, é feito à base de açúcar, farinha, ovos e xarope de milho. Apresenta uma textura esponjosa e de cor amarela no centro, similar ao pão-de-ló, embora a sua aparência seja mais refinada na hora da comercialização.

Em Lisboa podemos experimentar esta especialidade graças ao trabalho desenvolvido por Paulo Castella, que nos diz que: “a tradição e a inovação estão lado a lado, mas a qualidade está sempre em primeiro lugar”.

Castella do Paulo

Rua Alfândega 120
1100-016 Lisboa
Telf: 212214446
Email: castelladopaulo@gmail.com
Encerra ao Domingo
http://www.castella.pt/



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Bordados de Viana do Castelo


Gemeniana Branco, 29 de Março de 1917


Foi numa exposição realizada a 24 de Agosto de 1917 no artístico Pavilhão, no Campo d´Agonia em Viana do Castelo, que Gemeniana Branco deu a conhecer os seus trabalhos e que desde então dá início a uma profissionalização desta prática.
Germeniana era uma jovem mulher com recursos, ligações e capacidade de iniciativa. Características que a levaram a transformar uma tarefa de uso essencialmente doméstico a uma atividade económica. Esta mulher fá-lo não só por si que dados os seus recursos não necessitava mas por princípios e valores que partilhava com mulheres como Berta Machado ou Ana de Castro Osório, que quando Portugal entrou na I Grande Guerra foram as fundadoras da Cruzada das Mulheres Portuguesas que tinha como objetivo diminuir a miséria das famílias portuguesas da altura. Foi neste contexto que Gemeniana se lança ao trabalho ajudando mulheres carenciadas no sustento das suas famílias em Viana e nos arredores.
A área de produção do Bordado de Viana do Castelo engloba a totalidade do território do Município de Viana do Castelo e os municípios que integram a Região de Turismo do Alto Minho tais como: Arcos de Valdevez, Barcelos, Caminha, Esposende, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte do Lima, Terras de Bouro, Valença e Vila Nova de Cerveira.

O Bordado de Viana do Castelo deve ser executado sobre um tecido, tafetá, linho puro , algodão puro.
A cor mais utilizada para o tecido base tem sido o branco. Contudo, até porque o linho caseiro, por vezes, tem uma cor bege escuro – o “pano-cru”– desde o início da produção que foram utilizados tecidos em várias tonalidades de bege e cru. Nos anos quarenta tornou-se vulgar bordar-se sobre tecidos de cor viva como o vermelho ou o azul forte, tendência que perdura até aos dias de hoje.



A linha usada no Bordado de Viana do Castelo é a linha 100% de algodão, brilhante, o conhecido “perlé” número 8.
As cores das linhas a utilizar, são o branco, o azul e o vermelho, cujos números de referência (da marca Coats & Clark, a mais utilizada), são respetivamente o nº 01, o n.º 0134 e o n.º 047. Estas três cores tanto se usam em monocromia, como combinadas entre si, sendo raro aparecer o azul e vermelho sem o branco.



No Bordado de Viana do Castelo, a japoneira corresponde à estilização da camélia, flor conhecida por esta designação no Norte do País.










O Coração é, com a Japoneira um dos motivos mais presentes no Bordado de Viana do Castelo.



Continua atual a transposição para o Bordado de Viana do Castelo, a imagem das peças que integram a rica filigrana minhota, tão tradicionalmente usadas. Assim surgem, inspiradas nas peças da ourivesaria popular, desenhos de corações e também de cruzes laças ou borboletas, fios de contas e brincos.




Encontramos também trevo, quer de três quer de quatro folhas, de tamanho variado.



Marias e Mariões são flores constituídas por pétalas separadas umas das outras, que irradiam de um “olho” ou centro, redondo, podem existir variações.
A diferença do tamanho explica a diferença do nome, uma vez que as Marias apresentam uma dimensão média da ordem dos 3 ou 4 centímetro de diâmetro e os Mariões são maiores.



As estrelas são motivos de recorte aos bicos, sejam flores ou motivos de carácter mais geométrico. Uma das razões que explicam o seu desaparecimento do Bordado atual de Viana do Castelo é a maior dificuldade que representam, ao nível do risco e da sua execução. No seu desenho algumas aproximam-se das japoneiras, outras dos mariões.


Dados obtidos graças ao excelente trabalho de 
Ana Pires, Caderno de Especificações do Bordado de Viana do Castelo, Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2006

Documento que suporta o Processo de certificação destes trabalhos onde são definidos e apresentados todos os elementos que caracterizam este produto e lhe confere especificidade e identidade.