terça-feira, 25 de outubro de 2011

Bordados da Madeira

Chamado de ponto oficial 
Composto pelo ponto cordão, com recorte e usado em tecidos mais leves


A influência inglesa deu-se no século XIX assim como o aparecimento ao público como manifestação artesanal, justamente em 1850 na “Exposição da Indústria Madeirense” é o resultado do convite feito aos manufatures artífices da Madeira para apresentarem artefactos na primeira exposição realizada no Palácio de São Lourenço. Essa exposição foi tão importante que a Madeira recebeu um convite para estar presente em Londres na Exposição Universal que decorreu em 1851. A presença madeirense foi um sucesso e recebeu elogias de vários países presentes pela sua pureza e perfeição artística.




A sua origem remontam aos primeiros colonos que chegaram à ilha, construiram casas, negócios e adaptaram-se ao clima. As suas mulheres começaram por fazer pequenos trabalhos em bordados tais como: barras de lençóis, camisas etc, os trabalhos eram feitos em pano de linho e algodão. Estes bordados despertaram desde logo o interesse aos comerciantes da ilha e em 1850 tiveram um forte impulso com a chegada à ilha de Miss Phelps que reconheceu a sua qualidade e os fez chegar a Inglaterra. Desde então iniciaram-se mudanças quer para as mulheres que faziam esses trabalhos quer para a economia local, dada a necessidade de resposta que teriam de ter fase à crescente procura em Inglaterra, França, Itália.
Atualmente os principais mercados da exportação são EUA, Itália, Inglaterra. 



Após o inspeção minucioso da perfeição e autenticidade do trabalho integral do bordado, é colocado um selo de garantia, que atesta a qualidade e autenticidade das peças produzidas na ilha da Madeira.

Núcleo Museológico 
Podemos seguir de perto a história desta arte e o seu crescimento 


Núcleo Museológico: Rua Visconde Anadia, nº44
9050-020 Funchal 

Tel: 00 351 291 211600 
Fax: 00 351 291 224791

Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira, IP (IVBAM)Rua Visconde do Anadia, 449050-020 FunchalTel: 00 351 291 211600; Fax: 00 351 291 224791
ivbam.sra@gov-madeira.pt
 http://www.bordadomadeira.pt
Fotos: http://www.bordadomadeira.pt



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Chá Gorreana

Plantações Gorreana, São Migguel, Açores.

A história da introdução do chá em S. Miguel, cruza-se com a da vida das famílias micaelenses. Fundado pela família Gago da Câmara operando já em cinco gerações. Assim surge o chá Gorreana, pelo empenho de Hermelinda Pacheco Gago da Câmara em 1883 que apesar dos filhos que teve, o Gorrreana acaba por ficar para a sua neta Angelina. É ela que vem a casar com Jaime Hintze (família, de origem alemã, veio para Portugal no século XVIII) que se entregou à plantação e proporcionou o seu crescimento.
O filho de Jaime e Argelina, Fernando, casa com Berta Ferreira Meireles. E continua a obra do pai, comprando grande parte das máquinas que, estão ainda em funcionamento. Mas vai mais longe e constrói uma central termo elétrica, uma alternativa à hidroelétrica. Fernando morre muito novo, deixando apenas uma filha, Margarida Hintze. Em 1966, Margarida casa com Hermano Mota. Neste momento é a família Mota e, Hermano Mota, quem impulsiona a plantação. O chá apareceu na ilha graças a Jacinto Leite (micaelense) por volta de 1820, que traz as sementes do Brasil. O seu cultivo foi depois incentivado pela Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, que, em resposta à crise da laranja, mandou vir em 1878, para a Ilha de S. Miguel as primeiras sementes de C. sinensis, a planta do chá.
Mais tarde foram chamados dois especialistas chineses cujo objetivo era ensinar aos fabricantes locais as técnicas de preparação das folhas. Todas as variedades de chá provêm dos rebentos jovens desta planta, as diferenças derivam de diversos fatores tais como: clima, período da colheita e do tratamento a que são submetidos.

Empresa mais antiga de chá da Europa, reconhecida a nível mundial pelo seu mercado de exportação para o mundo


Em tempos de ascensão chegaram a funcionar na Ilha de S. Miguel mais de uma dezena de plantações com fabrico próprio. Nas quais encontrava-se a Gorreana que é atualmente, a única plantação com fábrica de chá em toda a Europa, já vai para mais de 125 anos. Explora 23 hectares, uma área com capacidade de produção de cerca de 40 toneladas de chá seco. Cultivado longe da poluição industrial, sem uso de pesticidas, herbicidas ou fungicida numa propriedade onde a alta qualidade é um dos objetivos.

Gorreana: qualidade e requinte 


A Gorreana produz chá verde e chá preto ortodoxo, designado assim porque durante o processo de transformação das folhas estas ficam na sua maioria, enroladas e inteiras, assim como acontecia ao chá que era trabalhado com as mãos e não utilizando as novas tecnologias.
O processo de transformação tradicional ortodoxo do chá depreende várias fases:

- Emurchamento;
- Enrolamento
- Fermentação
- Secagem
- Escolha, armazenagem e embalagem

Tabuleiros para emurchamento do chá.

Enrolador de chá.

Tabuleiros onde se processa a fermentação de chá

Secagem das folhas de chá

Crivos que separam as folhas de chá por tamanho, originando  diferentes tipos de chá preto.

Selecção e embalagem do chá.

Máquina que gera vapor, onde se colocam as folhas de chá e se processa “steaming” que inactiva as enzimas responsáveis pela fermentação, originando assim chá verde.

Produto Final 


Segundo uma lenda chinesa, o chá foi descoberto pelo imperador Shen-Nung por volta do ano 2737 a.C. No continente europeu a introdução do chá é claramente atribuída aos portugueses, em 1560, através das trocas comerciais que mantinham com o oriente. E foi daqui que surgiu para outros países da Europa levado pela Companhia Holandesa das Índias Orientais. Também a Grã-Bretanha se tornou um país de enorme consumo através da influência portuguesa. Foi a princesa Catarina de Bragança, esposa do rei D. Carlos II, uma grande apreciadora do chá, que em 1662, o difundiu na corte inglesa. Teve um forte impulso pela duquesa de Bedford, que para eliminar uma sensação de fraqueza introduziu o hábito de beber o “chá das cinco”.

Fonte: Dra. Sandra Jorge – INETI, DTIQ in http://www.cienciaviva.pt/projectos/pulsar/cha.asp
http://www.gorreanatea.com/

The Gorreana Tea Estate
304 Gorreana
S. Miguel, Azores 9625
Europe

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ovos Moles de Aveiro



Remonta ao século XVI e ao Convento de Jesus atualmente Museu Nacional Santa Joana - Aveiro, nessa altura usava-se a recita conventual dos ovos moles como remédio na convalescença de doentes. No século XIX dá-se a “laicização” da doçaria e abre em 1856, a primeira confeitaria em Aveiro a comercializar os Ovos Moles de Aveiro e a visibilidade e aprovação geral do produto foi tanta que chegou as referências literárias, como exemplo em Eça de Queiroz na “A Capital” e “Os Maias”.
Mas a receita conventual continuou viva graças as jovens que passaram por essas instituições religiosas. A imediação com a ria fez surgir no doce formas de amêijoas, búzios e motivos marítimos. A receita é simples e mantém-se ao longo de várias gerações. Confecionada somente com gema de ovo, açúcar e água. 



Tendo como objetivo a proteção e preservação deste produto como produto de qualidade os produtores associaram-se e construíram a Associação de Produtos de Ovos Moles de Aveiro (APOMA) uma das suas missões é a ligação com a história e o “saber fazer” das doçaria ao longo do tempo. Foi perante a importância social e histórica dos Ovos Mole de Aveiro que surgiu a necessidade de criar a associação de produtores e proceder à certificação deste produto tradicional, demorou cerca de 11 anos a concluir e deu-se entre 1998 e 2000. Registe-se o facto de esta ser a primeira doçaria conventual a ser reconhecida e certificada no espaço comunitário europeu.

Ovos-Moles são o primeiro produto de pastelaria a obter denominação de IGP

Foi legalmente constituída em 4 de Outubro de 2000 e tem como principais objetivos a proteção da marca “Ovos Moles de Aveiro”, o garante da genuinidade da receita e modo de fabrico do tradicional doce conventual, e a criação de uma dinâmica coletiva entre os seus associados de forma a ser possível atingir novos e mais exigentes mercados.” Nesta data são cerca de 26 os estabelecimentos certificados e autorizados a produzirem ou venderem a marca “Ovos Moles de Aveiro”, total anual de 75 toneladas de produto vendido que se traduz numa receita anual de aproximadamente de 1,3 milhões de euros. Posto isto é uma preocupação constante a verificação e controle sistemáticos do cumprimento das características, qualidade, veracidade e especificações técnicas. Segundo informação recolhida no Ciclo de Conferências "Aveiro à Conversa" - certificação dos Ovos Moles de Aveiro (24.03.2011).
Já existe um caderno de especificações dos Ovos Moles que deve obedecer a um determinado número de condições de acordo com o regulamento (CEE) Nº 2081/92. Tais como a descrição do produto, as matérias primas, indicações de características químicas, físicas, microbiológicas e organolépticas, assim como a delimitação e a ligação do produto à área geográfica (O Ministério da Agricultura concedeu a este doce regional o estatuto de indicação geográfica protegida sendo o primeiro produto de confeitaria portuguesa a receber este título.), descrição do modo de produção, entre outros elementos que são referido no caderno de especificações que é o documento estruturante e regulador da produção e comercialização do produto que devera obedecer sempre à receita e forma de fabrico original.   



Este produto é originário dos concelhos limítrofes e zonas lagunares próximos à Ria da Aveiro tais como: Ovar, Murtosa, Estarreja, Albergaria-a-Velha, Sever do Vouga, Aveiro, Ílhavo, Águeda, Vagos e Mira. Nesta zona é notória a produção abundante de “milho, galinhas e ovos” ingredientes que deram e são a base desta especialidade.
Após estudos (Naia 2001) pode-se estabelecer parâmetros que caracterizam os Ovos Moles de Aveiro a nível exterior: Invólucro, cor, forma. No seu interior: forma cor, brilho, cheiro, entre outros. 




Envolvidos numa hóstia ou em barricas pintadas no exterior com barcos moliceiros característicos da Ria de Aveiro, são uma doce e deliciosa tentação em qualquer altura do dia ou da noite e têm menos calorias do que um pastel de nata e muito menos do que um croissant! 


De referir ainda a confraria dos Ovos Moles: “A Confraria dos Ovos Moles de Aveiro tem por missão a promoção, divulgação e defesa cultural e gastronómica do doce conventual “Ovos Moles de Aveiro”, enquanto produto tradicional, de origem e proveniência certificadas.
A Confraria dos Ovos Moles de Aveiro, alicerçada na tradição, procura contribuir para que a doce história dos Ovos Moles se perpetue, no futuro, em Aveiro, em Portugal e além fronteiras.”




APOMA, 2003, Caderno de Especificações dos Ovos Moles de Aveiro,
NAIA P., PARREIRA C., BARROS A., ALVELOS H., ROCHA S., MENDO S., COIMBRA
M.A., ; 2001 “ Análise dos Ovos Moles de Aveiro – Ensaios químicos a massas de novos produtores, segurança alimentar, valor nutritivo, estimativa do conteúdo em colesterol, provas organolépticas”, realizado para a APOMA, Universidade de Aveiro.

Oficina do Doce
Rua João Mendonça, n.º 23
Letra JKL (Galeria Rossio)
3800-200 Aveiro
Tel. 234 098 840
Fax. 234 913 241
geral@oficinadodoce.com
http://www.oficinadodoce.com
Horário de visitas
Época Alta: Junho, Julho, Agosto, Setembro, das 10h00 às 19h00.
Restante Época: das 10h00 às 17h00.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Calçada Portuguesa

Foto: Luís Ponte
Cais do Sodré


A civilização que lhe deu origem Remonta à Mesoptânia (III milénio a. C) a calçada, mosaico ou empedrado artístico. O mosaico conheceu o primeiro período de ascensão com os gregos helenísticos, que passaram a sua aplicação aos romanos. O mosaico marcou também posição influente no mundo muçulmano, que o usou em grande escala, e em civilizações ameríndias, particularmente no México e no Perú (REGO, 2000).
João Oleiro um dos principais vultos da arqueologia portuguesa do século XX refere que a época de maior florescimento do mosaico romano em Portugal dar-se-á entre os séculos II e IV e as principais aplicações localizam-se eminentemente a sul do Tejo, o que ocorre ao mesmo tempo que o desenvolvimento da romanização e independentemente da facilidade na obtenção da matéria prima,predominantemente calcário.
Maioritariamente os mosaicos de idade Romana em Portugal são do tipo opus tessellatum (tesselas com cerca de 1 cm de tamanho) associando por vezes a técnica do opus verniculatum (tesselas muito pequenas e pasta de vidro) nos motivos ou figuras de menores dimensões. Dado o custo e a sua resistência os romanos não empregavam o mosaico na pavimentação de ruas ou grandes espaços públicos. A calçada portuguesa ganha mérito na escolha de materiais à escala urbana dando assim a possibilidade de execução em grandes superfícies e resistente ao tempo e ao desgaste (AMARAL & SANTA-BÁRBARA, 2002).

Por iniciativa do então Governador de Armas Tenente-General Eusébio Cândido Pinheiro Furtado, no ano de 1842 a calçada portuguesa, em calcário e/ou basalto, foi aplicada pela primeira vez em Lisboa, na parada do quartel do Castelo de S. Jorge onde formava o Batalhão de Caçadores 5.(CABRERA & NUNES, 1990).
Era uma novidade, fez sensação! Estabeleceu-se romaria ao Castelo de S. Jorge, para ver a calçada mosaico; a maioria compreendeu logo que era bom o sistema, bonito, económico e que devia generalizar-se...”. Eng. Miguel Pais, em 1883 no Diário de Notícias (in BAIRRADA, 1985)

Guedes, Paulo (1889- 1947) Praça Dom Pedro IV – Rossio 1919

Fonte: Arquivo fotográfico de Lisboa


A Câmara de Lisboa reconheceu o enorme sucesso da calçada que concedeu ao Tenente–General verbas para a pavimentação do Rossio (8 712 m2). De Agosto 1848 a Dezembro 1849 foi o tempo que demorou a pavimentação do Rossio e o desenho eleito foi o padrão ondulado em preto e branco, conhecido por todos mar largo.

Mar Largo 1940
Fonte: Arquivo fotográfico de Lisboa


O grande impulso deu-se no séc. XX, a calçada progressivamente propagou-se e alastrou-se por todo o país ganhando protagonismo nos centros urbanos situados em pontos das principais vias de comunicação (CABRERA & NUNES, 1990).
O primeiro trabalho de calçada portuguesa aconteceu na cidade do Porto em 1843, aquando se substituiu o pavimento da Praça Nova hoje em dia atual Praça de D. Pedro em macadame pelo ladrilhado português de pedras brancas e negras efetuado por artistas que se deslocaram de Lisboa (DIAS & MARQUES, 2002).

António (1901- 1987) Caravela Portuguesa, armas da cidade de Lisboa – Praça Marquês de Pombal 1944
Fonte: Arquivo fotográfico de Lisboa


A riqueza e a originalidade das calçadas portuguesas é, talvez, a maior contribuição do nosso País em matéria de qualidade no mobilar dos espaços urbanos”. (AMARAL & SANTA-BÁRBARA, 2002). Assistimos a um mero utilitarismo e avançamos para o belo, original, único e que merece ser apreciado, preservado e divulgado ontem, hoje e amanhã.
Decorria o ano de 1913 e foi realizada em Lisboa, uma importante prova de cariz internacional de calcetamento, na qual foram convidados inúmeros dos melhores artífices nacionais e estrangeiros. Os portugueses obtiveram o 1º lugar, nas três modalidades a concurso: calçada de luxo, calçada mais resistente e calçada mais económica. Esses resultados contribuíram visivelmente, na altura, para o reconhecimento internacional desta atividade artística tão portuguesa.


Vários foram os momentos em que esta arte se destacou a nível internacional:
  • 1900, em Paris, na Exposição Universal, com o passeio em volta do pavilhão português;
  • 1905, em Manaus;
  • 1906 no Rio de Janeiro, na pavimentação da Avenida Rio Branco;
  • 1909, na cidade do Cabo;
  • 1913 em Génova e Nápoles;
  • 1929, em Sevilha, no pavilhão de Portugal, por altura da Exposição Ibero-Americana e nesta mesma cidade
  • 1969, no Parque Maria Luísa, o emblema da Junta Nacional dos Produtos Pecuários que recebeu muitos elogios;
  • 1974, em Nova Iorque, por convite do antigo governador Nelson Rockfeller, foram embelezados passeios e parques desta cidade (BAIRRADA, 1985).
  • Cartaz da Feira Internacional de Lisboa sobre o Salão Internacional de Rochas Ornamentais (Maio de 1983) que tinha uma estrela de centro sextavado;
  • a inclusão pelas Bibliotecas Itinerantes, da Fundação Calouste Gulbenkian, das ondas de “Mar Largo” no seu logótipo (BAIRRADA, 1985),
  • motivo em tempo também utilizado pela EPAL (Empresa Pública de Águas Livres)
  • A Exposição Mundial de 1998, em Lisboa,
  • A residência oficial do Sr. Primeiro-ministro, que possui calçada portuguesa
  • Na sessão de abertura do Euro 2004 no Estádio do Dragão, o relvado do estádio apareceu revestido por uma cobertura com desenhos de calçada portuguesa;
  • Os bilhetes e os cartazes de anúncio da final da Taça UEFA, Lisboa 2005
  • Delta Cafés na comemoração de 20 anos na Comunidade Europeia, introduziu motivos de calçada portuguesa nos pacotes de açúcar
  • Memorial a John Lennon, no Central Park em Nova Iorque, um dos meus exemplares preferidos de calçada  que se encontra fora de Portugal 

Em espaços privados podemos encontrar a calçada portuguesa
  • Residências
  • De porta aberta (cinemas, teatros, etc)
  • Autónomo (centros comerciais, igrejas, quarteies, etc)
  • Estacionamentos  

    Em espaços públicos podemos encontrar a calçada portuguesa
    • Avenidas
    • Largos
    • Parques e Jardins
    • Praças
    • Ruas
    • Cemitérios
    • Piscinas
    • Mercados  
      Fonte: BAIRRADA, 1985


      Existem imensos desenhos, da calçada portuguesa, por todo o país, podendo mesmo repetir-se. Os desenhos traduzem simbologias locais, relacionadas e associadas à economia, mitos e tradições locais. 

      Alguns dos desenhos da calçada em Lisboa MARTA, P (2006) 


      Inicialmente os primeiros trabalho foram executado por presos, denominados na época por grilhetas. Durante muito tempo, os desenhos eram elaborados por amadores com perícia. Só após os anos 50, alguns artistas plásticos tais como Abel Manta ou Clara Smith, foram convidados a elaborar trabalhos para a calçada. Atualmente, muitos arquitetos reconhecidos são responsáveis pelos desenhos dos pavimentos.
      A calçada portuguesa resulta de duas fases distintas da sua produção. Primeiro a fase da exploração da pedra, em que a matéria prima, a rocha sofre a transformação em cubos de alguma forma regular. Por sua vez a segunda fase corresponde à colocação dos cubos assentes no solo de forma adequada e harmoniosa. Assim temos a calçada portuguesa tal como a conhecemos por esse país e mundo fora. Apresentando padrões, formas, cores, durabilidade, arte e orgulho dos muitos que se passeiam por essas pedras que mais parecem palcos com vida própria e que guardam histórias. É uma leitura subtil! 

      AMARAL, F. & SANTA-BÁRBARA, J. (2002) – Mobiliários dos espaços urbanos
      em Portugal. João Azevedo Editor
      BAIRRADA, E. M. (1985) – Empedrados Artísticos de Lisboa: a arte da calçada mosaico.
      CABRERA, A.; NUNES, M. (1990) – Olhar o Chão, Imprensa Nacional - Casa
      Moeda, Lisboa.
      DIAS, M. & MARQUES, M. (2002) – Porto Desaparecido, Quimera Editores, Lda.
      MARTA, P (2006) – Exploração de calcários para a calçada portuguesa – um georrecurso educativo para o ensino secundário. Tese de Mestrado FCT/UNL
      REGO, V. D. (2000) - Calçada artística nos passeios de Ponta Delgada

      sexta-feira, 7 de outubro de 2011

      Comme a Lisbonne

      Foto:M&S

      Em Paris no espaço “Comme a Lisbonne” encontramos um ambiente acolhedor, calmo e com sabores de Portugal. Por lá encontramos os melhores pastéis de natas de Paris estaladiços, cremosos, quentinhos. O conceito deste espaço vai além dos pastéis de nata e apresenta uma amostra gourmet representativa de alguns dos melhores produtos portugueses dos azeites do Esporão, ao chá açoriano, vinho do Porto, sardinhas Tricana e até mesmo os chocolates Arcádia. 

      Foto:M&S

      Temos também Galos de Barcelos reinventados e contemporâneos, andorinhas pretas de Bordalo Pinheiro, café Delta. Representantes de Portugal estão em Paris para nos reporem os níveis de açúcar e cafeína na cidade que ganhou mais luz com a abertura ao público desta loja.
      No futuro próximo podemos aguardar mais produtos portugueses nesta loja Portuguesa com certeza!


      Comme a Lisbonne
      37 Rue du Roi de Sicile 75004 Paris
      De Terça-feira a Domingo

      terça-feira, 4 de outubro de 2011

      Barrete Símbolo da República


      No inicio todos os barretes eram pretos ou cinzento-escuro, distanciando-se do grupo social ou região do país. Atualmente se passarmos pelas praias da Nazaré ou da Póvoa do Varzim podemos encontra-los entre os pescadores ou até mesmo na região saloia.
      Os barretes podem ser agrupados em dois grupos de cores os verdes e vermelhos e os pretos. Os primeiros eram usados pelos campinos do Ribatejo e pelos forcados, por sua vez os segundos eram usados pelos trabalhadores rurais e piscatório em toda a Beira Litoral, além de servirem de agasalho, também eram utilizados como algibeira para guardar o tabaco, fósforos e dinheiro, guardando os objetos no fundo do forro para não apanharem humidade sendo desta forma justificado o cumprimento.
      Nos finais do século XIX e inícios do século XX, o traje tradicional apresenta algumas permeabilidades às modas e a também a outros interesses que o levam a fazer algumas modificações. Muitas dessas alterações não estão exclusivamente relacionadas com as influências da moda mas estão relacionadas com fins de propaganda turística e política, exemplos disso ocorreram em grande medida durante o período do Estado Novo.
      Faz cento e um anos que foi instaurado em Portugal o regime republicano. O Ribatejo era uma das regiões de maior implantação política dos republicanos da altura. Foi um ribatejano de nome José Relvas, que hasteou a bandeira do novo regime nos Paços do Concelho, em Lisboa.
      A bandeira que foi hasteada pertencia a um pequeno grupo político, o Centro Democrático Federal, a bandeira como a conhecemos só mais tarde viria a ser concebida e aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte no ano seguinte.
      Foto: M&S 
      “A Liberdade guiando o Povo” de Eugène Delacroix Museu do Louvre

      A Liberdade guiando o Povo” de Eugène Delacroix, foi uma fonte de inspiração para os republicanos que criaram uma figura alegórica para representar a República, à semelhança do que fizeram os franceses à sua Marianne. O modelo escolhido foi uma jovem alentejana de Arraiolos que vivia em Lisboa, Ilda Pulga. E, à semelhança do que os franceses fizeram com a Marianne, colocaram-lhe também sobre a cabeça um barrete frígio ou também conhecido como barrete da liberdade, um dos símbolos do regime republicano.
      Ilda Pulga, Rosto da República

      Por ter sido primitivamente usado pelos habitantes da Frígia o barrete ficou assim designado A Frígia constituía uma região da Ásia Menor, onde atualmente se encontra a Turquia. Os republicanos franceses adotaram-no, sob a cor vermelha, simbolizando a liberdade. Também os republicanos portugueses viram certamente no barrete do campino ribatejano uma identificação de barrete frígio, genuinamente português, podendo ser-lhe introduzidas as cores da República.
      Com a divulgação do folclore em especial na altura do Estado Novo, a ideia do barrete verde enraizou-se nos costumes ribatejanos e tornou-se uma peça considerada genuína do traje do campino.
      Existe em Portugal a única fábrica a nível mundial onde são fabricados barretes de campinos ribatejanos de cor verde e vermelha, das sarnadas e dos pescadores da Nazaré de cor preta, esta localizada no Parque Industrial do Safrujo, em Castanheira de Pera.