terça-feira, 9 de agosto de 2011

Filigrana Portuguesa

Coração de Viana


A filigrana é um trabalho minucioso e ornamental que é realizado com perícia e delicadeza. É uma técnica de ourivesaria, e insere-se no tipo de ourivesaria popular, apesar de não ser específica da nossa tradição cultural encontra-mo-la noutros países e culturas, pode ser considerada uma das formas mais características das artes portuguesas.
Pequenas bolas de metal e fios muito finos soldados e achatados provocando o efeito trança, de forma a obter desenhos como estes.

Cruz de Malta



Metais como o ouro e a prata são os mais trabalhados nesta arte, e estão presentes na história da humanidade nunca caindo em desuso, desde a Antiguidade até aos dias de hoje. 
 
Recriação contemporânea de Joana Vasconcelos  



No norte do pais a tradição da filigrana continua presente nos adornos das mulheres minhotas, desde os trajes de noivas, aos trajes dos ranchos folclóricos e até no café de domingo à tarde.

Brincos Rainha


Vamos até ao 3º milénio a.c. no Médio Oriente onde a filigrana foi difundida periodicamente: na época romana; na idade Média, na Sicília e em Veneza, na época Barroca, e em finais de 800 e princípios de 900. Técnica aperfeiçoada pelos Etruscos, pode dar-se o nome de “Granulado”, já em Génova cidade essencialmente de marinheiros recebeu o nome de “casco”, pela analogia com o casco dos navios, dai também o nome de “armação”.
De destacar duas correntes que tem acompanhado a filigrana ao longo do tempo em relação à sua produção e ao seu uso: num primeiro momento, apresenta-se como artefacto secundário da joia, como técnica de primor e de alto sentido artístico, aplicada a adereços de luxo, de uso profano e sagrado, com refinado e apurado gosto no desenho, cujo imaginário e configuração artística contribui para que se integre num tipo de ourivesaria própria das classes mais elevadas e abastadas. Até ao século XIX permanece como técnica de aplicação.

Brincos de Fuso



Num segundo momento, integrado no segundo quartel do século XIX, apresenta-se já como técnica de integração. Ganha lugar como peça individualizada sobre um esqueleto, estrutura ou armação, pode dizer-se que o filigraneiro teceu, ergueu, construiu, armou com fios delicados toda a “arquitetura” da sua obra.
Esta arte é classificada como popular, porque é produzida nos entre as tarefas do campo em determinadas regiões, principalmente nos arredores do Porto. Surgem desta forma os típicos corações com grandes dimensões, os crucifixos, as cruzes de Malta, as arrecadas, os colares de conta, os brincos de fuso e à rainha. É inegável que todo o ouro filigranado é, não só um artefacto ou um ornamento, mas também uma capitalização certa e segura de economia caseira, essencialmente nos meios rurais. 




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