quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Guitarra Portuguesa

Guitarra Portuguesa, 1890

A Guitarra Portuguesa assume um lugar de destaque no imaginário do que se pode chamar a identidade nacional portuguesa, como um símbolo, uma referência sempre presente no nosso imaginário e memória coletiva, quase sempre associada também ao fado e a saudade.
A sua origem direta encontramos um modelo de Cítara europeia conhecida em Portugal desde o século XVII, filiada na Cítola medieval e referida várias vezes na literatura e também em algumas representações iconográficas.
A Guitarra Portuguesa e a citara a partir do século XIX e ainda que apesar de muitas referencias em dicionários da especialidade como dois instrumentos distintos, tende a confundir-se sob a mesma designação vindo a adotar graduadamente elementos acessórios de um e outro instrumento.
A desqualificação social da citara é uma evidência segundo dados históricos apurados desde inícios do século XIX, o que levou a ser o instrumento ideal para acompanhar o fado.
Com a sua nova designação de Guitarra Portuguesa, começa a ser de forma gradual reabilitada e chega a entra novamente nos salões burgueses e palácios aristocráticos na segunda metade do século.
Na década de setenta a Guitarra Portuguesa populariza-se de norte a sul do país juntamente com o fado, sendo o seu uso obrigatório no seu acompanhamento aos tocadores ambulantes que frequentam feiras e romarias nacionais.
Segundo Pedro Caldeira Cabral uma das referências nacionais e que se tem dedicado também à investigação “ Segundo testemunhos recentes recolhidos por mim na Beira Alta e em Trás-os-Montes, estes tipos mais arcaicos sobreviveram até aos anos 30, nas mãos de moleiros e de artesãos carpinteiros que, nas horas vagas e em dias de festa, reuniam à sua volta verdadeiras tertúlias de poetas-cantadores de fados e romances, improvisando também cantos ao desafio.
Com o incremento do fado e das guitarradas, promovido pelas companhias de discos e de gramofones na década 20/30 e a sua subsequente difusão por todo o país através da rádio (a partir de 1935), a Guitarra Portuguesa tornou-se um instrumento ainda mais presente nos conjuntos instrumentais próprios das funções de baile, nas rusgas do Minho, nas rondas da Beira Alta, em grupos do Douro e de Trás-os-Montes, reforçando o timbre estridente das violas de arame e poiando o acompanhamento harmónico dos violões. Mas é certamente nas grandes cidades que a Guitarra atinge a sua cotação mais elevada, com a associação ao fado amador dos estudantes de Coimbra e nas mãos dos mais talentosos guitarristas profissionais do fado de Lisboa.”
Guitarra Portuguesa, 1930

Pedro Caldeira Cabral acrescenta ainda que depois da década de 40 aos dias que correm, pouco se fez para modificar os aspetos fundamentais da construção da Guitarra, verificando-se no entanto uma enorme evolução nas técnicas de execução e no reportório, o qual passou das simples guitarradas acompanhadas à viola, para genuínos solos de concerto e peças orquestrais com a guitarra.
A partir da década de 70, assistimos mesmo a uma verdadeiras incursões pela música erudita contemporânea, com emprego pontual de meios eletro-acústicos e de manipulação eletrónica dos sons da Guitarra Portuguesa.

Guitarra Portuguesa, 1969

Segundo o portal da Guitarra Portuguesa temos a seguinte definição “A Guitarra Portuguesa distingue-se dos outros cordofones de mão pela forma e dimensões da sua caixa de ressonância, pelo cavalete móvel em osso, pelas suas 12 cordas metálicas, dispostas em seis pares (ordens ou parcelas), pelo peculiar sistema mecânico de afinação, com o cravelhal metálico em forma de leque, com sistema de tarrachas deslizantes e parafuso sem fim, pela sua afinação única (si; lá; mi; Si; Lá; Ré; ou lá; sol; ré; Lá; Sol; Dó; ) , pela técnica de execução tradicional, com o dedilho especial da mão direita com uso exclusivo das unhas dos dedos indicador e polegar, e, como resultante natural destes fatores, possui uma qualidade sonora com características tímbricas e expressivas distintamente individualizadas.”

Temos em Portugal na Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART) em Castelo Branco é a única instituição no mundo a oferecer um curso superior de guitarra portuguesa. Desconhecida para muitos, embora existe há quatro anos e é motivo de orgulho para os estudantes, que conta com 7 alunos. 
http://www.ipcb.pt/
http://www.guitarraportuguesa.org
www.pedrocaldeiracabral.com

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