terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Lenços de Namorados

Bordadeira: Cristina Lopes – Aliança Artesanal – Vila Verde, 1950


O amor aos pedaços e bordado de norte a sul. É um amor que se escreve em linhas que se passeia e que conquistam. Sempre gostei da linguagem simbólica, ler para além das letras sentir para além do toque... Carregados de sentimento estes adereços marcam um universo de contos e histórias de Amor que já saltaram dos quadrados de linho para as loiças, vestidos. Percorrem agora vários caminhos com a intensidade e preciosidade de outros tempos.
Gosto deles coloridos, poéticos e com mensagens escondidas nos desenhos que os decoram, um objeto de comunicação entre duas pessoas com uma linguagem estética e simbólica nas entrelinhas da sua exibição.

Bordadeira: Obra das Mães (Vila Verde) – 1950



Nem sempre foram conhecidos por “lenços dos namorados”, bordadeiras ou pessoas idosas recordam que inicialmente eram simplesmente apelidados de “lenços” ou “lencinhos” e não tinham a dimensão emblemática que tem hoje em dia.
Tal como acontece com os bordados em geral não se sabe ao certo a data exata da sua existência, embora os primeiros relatos apontem para o século XIX. A história dos lenços é muito curta tal como confere José Cordeiro, (1997: 227) a existência dos lenços em várias regiões de Portugal e a sua predominância no Minho foram realçadas e trazidas a público graças à atenção principalmente dos etnógrafos do fim do século XIX. Os lenços mais antigos eram bordados em ponto cruz com linha preta ou vermelha e nos finais do século XIX dá-se a substituição do pano de linho pelo de algodão, para facilitar o trabalho. No século XX assistimos a uma evolução das cores, que tem um carácter económico uma vez que as linhas coloridas eram muito mais acessíveis. Foram profundas as transformações sociais e culturais que se deram nos anos 70 e foi quando menos lenços foram produzidos, mesmo sendo a imigração um fator para a continuação desta prática. Igualmente importante neste período foram os ranchos folclóricos que precisavam sempre deles. Já nos anos 80 várias iniciativas de recolha no concelho de Vila Verde revitalizam os lenços, dando-lhe um novo impulso, surgem várias estruturas associativas ou cooperativas que também foram fundamentais. Nos anos 90 a Câmara Municipal de Vila Verde apostou nos lenços como emblema do concelho, a partir de 1996 iniciou-se o processo pioneiro, só antes realizado em Portugal com os bordados da Madeira, que culminou na implementação da certificação.

Vestido de Noiva com inspiração nos Lenços dos Namorados


Vista Alegre Inspiração Lenços dos Namorados

Do que se conhece da história dos lenços resulta que a sua origem é desconhecida, não existindo, até ao momento, qualquer documentação que possa comprovar a existência de qualquer filiação com algum
produto semelhante numa outra região do mundo ou com uma qualquer tradição cultural europeia muito
antiga, pelo que carece de confirmação a conhecida hipótese de uma possível influência dos “lenços de
fidalgo” sobre os lenços populares .”
Caderno de Especificações para a Certificação Lenços de Namorados do Minho – Edição 2007



Fonte 
Os “lenços de namorados”: frentes e versos de um produto artesanal no tempo da sua certificação
Vila Verde, Município de Vila Verde, Proviver EM, 2008, 2.ª ed. (revista e aumentada), 302 páginas.

http://www.aliancartesanal.pt

Caderno de Especificações para a Certificação Lenços de Namorados do Minho – Edição 2007







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