segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Bonecos de Santo Aleixo

Bonecos Santo Aleixo


São conhecidos em todo o Alentejo, em Portugal e no mundo. Segundo consta tiveram a origem na terra que lhes deu o nome “Santo Aleixo”, apelidados de títeres pois são títeres de varão, manipulados por cima à semelhante ao que acontece nas grandes marionetas do sul da Itália e de todo o norte da Europa, mas os nossos são pequenos com cerca de vinte a quarenta centímetros. 
Bonecos Santo Aleixo


Ao que se sabe e desde meados do século XIX, foram “inventados” ou “reelaborados” os textos por um tal de Nepomucena, guarda de herdades, natural de Santo Aleixo que vendo-se envolvido numa rixa de que resultou a morte de um homem, refugiou-se em
S. Romão, perto de Vila Viçosa, próximo da fronteira com Espanha, dedicando-se para subsistir ao ofício de “bonequeiro”.

Mestre Talhinhas


O “estojo de bonecos” e textos tradicionais, que eram unicamente transmitidos por via oral, chegaram às mãos de Manel Jaleca através de sua mulher, que os recebeu dos seus antepassados.
Manuel Jaleca que manteve o espetáculo durante algumas décadas, conhece mais tarde António Talhinhas um camponês com grande poder de improvisação e que também cantava, veio a dinamizar a companhia e mais tarde acaba por comprar todo o espólio e o Sr. Jaleca passou a seu empregado.
Segundo se sabe não foram estes os únicos “Bonecos de Santo Aleixo” a percorrer a província alentejana. Em 1798 o Padre Vicente Pedro da Rosa mandara apreender e queimar, de frente da sua casa uns títeres “a que chamavam de Santo Aleixo e em que figurava desonesta e vielmente um Padre Chanca”, segundo o Padre Joaquim da Rosa Espanca, in “Memórias de Vila Viçosa”.
Estes bonecos foram dados a conhecer por Michel Giocometti e Henrique Delgado, eles foram pertença da família Talhinhas durante aproximadamente três décadas.
As décadas de 70 foram complicadas e por volta de 1975 ou 76 e ainda que após uma tentativa por parte da Secretaria de Estado da Cultura para revivificar a sua apresentação, Talhinhas ficou sozinho e com dificuldades para realizar os espetáculos. Decorria o ano de 1978 e o projeto de conservação dos Bonecos pôde concretizar-se, graças à intervenção da Assembleia Distrital de Évora, que adquiriu o material do Mestre Talhinhas.

O Centro Cultural de Évora tornou-se o depositário de todo o espólio, e a recolha do repertório começou. Em 1980 começaram os ensaios de “manipulação” e “elocução” orientados e dirigidos pelo Mestre, trabalho concluído durante o ano de 1994 com a recolha dos textos tradicionais que a extraordinária memória de Talhinhas conservou segundo dizem.
Atualmente as réplicas foram fielmente reproduzidas com a colaboração de Joaquim Rolo um artesão da aldeia da Glória e amigo da família Talhinhas.
Os Bonecos de Santo Aleixo, são propriedade do Centro Cultural de Évora e manipulados por uma “família” de atores profissionais, que asseguram a permanência do espetáculo, e a continuidade desta expressão artística alentejana, para todo o orgulho dos alentejanos e portugueses.
Os Bonecos originais, tal como o restante espólio adquirido ao Mestre Talhinhas estão expostos no Teatro Garcia Resende, projetos futuros reservam-lhes um espaço museológico integrado na rede museológica da cidade.
São sem dúvida conhecidos, reconhecidos e apreciados em todo o país, esse reconhecimento leva-os a frequentes deslocações. Ganharam uma visibilidade internacional que os leva a participações em vários certames internacionais em países como: Espanha, Bélgica, Holanda, Inglaterra, Grécia, França, Moçambique, Alemanha, Macau, China, Índia, Tailândia, Brasil, Rússia e México. São também anfitriões da Bienal Internacional de Marionetas de Évora – BIME que se realiza desde 1987.

Bonecos Santo Aleixo

SOBRE O ESPECTÁCULO

O essencial dos meios utilizados é composto por um lugar de representação chamado retábulo, construído em madeira e tecidos floridos e, reproduzindo um palco tradicional em miniatura com pano de boca, cenários pintados em papelão e iluminação própria (candeia de azeite); os bonecos são realizados em madeira e cortiça, medem entre 20 e 40 centímetros de altura e são vestidos com um guarda-roupa que permite, como no teatro naturalista, identificar as personagens da fábula contada. A música (guitarra portuguesa) e as cantigas são executadas ao vivo. Os textos, transmitidos oralmente, resultam de uma fusão entre a cultura popular e uma escrita erudita.
REPORTÓRIO RECOLHIDO
Baile dos Anjinhos
Disputa entre o Sol e a Lua
Auto da Criação do Mundo
Auto do Nascimento do Menino
Passo do Barbeiro
Baile dos Cágados
Baile das Cantarinhas
Saiadas (bailinho)
Fado do Senhor Paulo d’Afonseca e da Menina Vergininha
Confissão do Mestre Salas
Sermão do Padre Chancas
Confissão da Biata
Os Martírios do Senhor (Auto da Paixão)
O Lará
Aldonso e Doroteia
Filomena e Zeferino
Contradança

ACTORES-MANIPULADORES Ana Meira
Gil Salgueiro Nave
Isabel Bilou
José Russo
Vitor Zambujo
ACOMPANHAMENTO MUSICAL Gil Salgueiro Nave

Fonte: Câmara Municipal de Évora
Padre Joaquim da Rosa Espanca, in “Memórias de Vila Viçosa”.

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