quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ginjinha do Rossio


Taberna a Ginjinha 1967
Kerner, Sid


Em Portugal a ginja ou cereja amarga (nome científico Prunus cerasus) é um fruto popular desde o século XV, sendo utilizada com fins medicinais. Por volta de 1755 vulgarizaram-se em Lisboa os estabelecimentos que vendiam ginjas mergulhadas em aguardente e daí e evoluiu para a famosa ginjinha.
Segundo a lenda foi um monge da Igreja de Santo António , Francisco Espinheiro que criou o néctar da capital ao deixar ginjas a levedar em aguardente, acrescentando açúcar, água e canela.



Foto: Benjamim Medeiros 


Foi em 1840 no Largo de São Domingos que começou a ser servida a mais típica bebida lisboeta. No mesmo balcão passaram poetas, escritores, artistas, trabalhadores do Rossio, turistas, curiosos e gulosos. Sobreviveu a séculos de história, a ditaduras, confrontos, tempestades, ASAE, modas, gostos e costumes. Aí está ela da burguesia ao povo, do povo à burguesia sempre contemporânea e na boca dos lisboetas.


Foto: André Domingos

Oferecendo duas modalidades ao freguês que por lá passa: “com elas” ou “sem elas” , as ginjas! O certo é que saem a grande velocidade para a clientela sempre crescente que se alinha ordeiramente aguardando pela sua vez ... Sim porque o ritual requer repetição os copos são mínimos e o sabor enorme. É uma bebida doce e muito saborosa.


Atualmente o negócio já vai na quinta geração, selecionando as melhores ginjas e garantindo os 4 meses de repouso para uma produção de 150 000 litros anuais, alguns deles exportados. No Balcão do Rossio Cubas de 800 litros enchem as garrafas da bebida fabricada na Arruda dos Vinhos, exclusivamente para a Ginjinha da Espinheira a encher copos já vai para 171 anos.
Os versos que estão na entrada guardam publicamente o segredo mais bem guardado desta bebida tão nossa!

Cartaz de uma representação da publicidade feita à mais de 100 anos em Portugal.

Contacto:

Largo de São Domingos, 8
Lisboa
Preço: 1,2€












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