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Rafael Bordallo Pinheiro


Rafael Bordallo Pinheiro, 1876


Raphael Augusto Bordallo Prestes Pinheiro nasceu a 21 de Março de 1846 no nº 47 da Rua da Fé, em Lisboa. Apaixonado pelo lado boémio da vida lisboeta e avesso a qualquer disciplina, matriculou-se sucessivamente na Academia de Belas-Artes. Artista nato marcado seguramente pelo ambiente artística da sua casa paterna. Destaca-se pela modernidade militante, pelo otimismo e tala tranquilidade com que sempre viveu a sua agitada e nada fácil vida.
Saudavelmente um desiludido com as pessoas que para ele todas são corruptíveis.
Usava o riso para provocar e agredir mas não para curar o que não tem cura.
A sua versatilidade como artista levam-no a ter uma vida repleta de experiências e aprendizagens. No seu percurso muito próprio destaco: ceramista, escultor, ilustrador, cartoonista, jornalista, repórter (da guerra civil espanhola), decorador, figurinista de teatro e nos tempos que correm arriscaria a chamar-lhe também marketeer e designer, funções tão bem desempenhadas e com capacidade de projeção no futuro quando na altura ainda nem se falavam nessas profissões.
Foi também iniciado na Maçonaria em Julho de 1875 na Loja Restauração de Lisboa, com o nome simbólico de “Goya”

Texto impresso e timbrado, Grande Oriente Lusitano, 1875
Auto de Iniciação de Rafael Bordalo Pinheiro na Maçonaria






A Faianças Artística Bordallo Pinheiro foi fundada em 1884 com o propósito de revitalizar as artes tradicionais da cerâmica e do barro, com a originalidade do seu criador, Raphael Bordallo Pinheiro. Nasceu assim a produção em série de peças que tão bem caracterizam a sociedade portuguesa, ao longo de várias gerações.
Perfeccionista convicto deu importância a todos os pormenores na edificação do seu maior projeto desde a escolha do local, a moldura envolvente, inclusive a construção de uma escola primária para os filhos dos operários...
A empresa era marcada por uma forte paixão e criatividade colocadas nos trabalhos desempenhados, onde não faltava a consciência moral, o humor, transgressão tornaram a empresa com características únicas e responsável por uma qualidade notável e uma herança de enorme valor. Património artístico e histórico que atualmente foi resgatado pala aquisição da Fiança Bordallo Pinheiro por parte da Visabeira Indústria. Que continua a utilizar grande parte das técnicas centenárias na reprodução dos moldes que assim vai prosseguindo a recuperação de um legado insubstituível. Ao mesmo tempo a empresa vai criando produtos de cariz contemporâneo e reforçando e seu prestígio.

Alguns dos objectos mais representativos que permanecem intemporais.  




O conceito do Zé Povinho segundo o seu criador: esperto e matreiro, sem moral nenhuma se pudesse trepava para as costas dos que o calavam a ele. Não gosta de trabalhar e prefere resignar-se do que a combater. O manguito é o seu gesto filosófico perante os desacertos do mundo. Esta personagem nasceu com o 5º número da revista Lanterna Mágica, de 12 de Junho de 1875. O Zé Povinho é a criação mais emblemática de Bordallo e uma das metáfora mais certeira do nosso carácter coletivo, espelho sarcástico do povo português com os seus vícios e a sua esperteza oportunista.




A azulejaria ocupa um papel essencial na obra de Bordallo Pinheiro. Criou inúmeros azulejos em relevo, com padrões diversificados, incluindo peças de inspiração naturalista, de influência histórica e recriações hispano-mouriscas inspiradas na tradição local.”






A couve e os tomates foram metáfora à rusticidade de um Portugal que Bordallo tantas vezes satirizou. Esta foi uma forma astuciosa de homenagear, colocando-os no centro das mesas burguesas, para onde, de outra forma, não seriam convidados.


O Museu

Madureira, Arnaldo, 1940: Arquivo fotografico de Lisboa



O museu tem origem na importante colecção reunida pelo poeta Cruz Magalhães que em 1913 encomenda o projecto ao arquitecto Álvaro Machado para a sua moradia no Campo Grande,  iniciando ai a instalação da colecção.

O museu abre ao público pela primeira vez em 1916, em 1922 é ampliado com a criação de novas salas, em 1924 o museu passa a tutela do Município de Lisboa. 

1º Bilhete de entrada no museu em 1816

 Depois de várias transformações e remodelações este museu mantém até aos dias de hoje o legado de um incontornável artista português. Nele esta reunida a mais completa colecção bordaliana com 1200 peças de cerâmica, 3500 exemplares de gravuras originais, entre desenhos e pinturas, 900 fotografias de época, mais de 3000 publicações,  um significativo acervo documental composto pelo espólio privado de Cruz Magalhães e do grupo de amigos com ligação à história da constituição da colecção e da fundação do Museu e pelo trabalho da primeira directora da instituição, Julieta Ferrão. 

Contactos:
Rua Rafael Bordalo Pinheiro, 53
2504-911 Caldas da Rainha
Tel: 00351 262 839 380
Museu Bordalo Pinheiro
Campo Grande,382
1700-097 Lisboa
Tel: 00351 218 170 667
Site: http://www.museubordalopinheiro.pt    
De terça a Domingo das 10h-18h
Preço: 1,5 euros
Metro: Campo Grande













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