Bordados de Viana do Castelo


Gemeniana Branco, 29 de Março de 1917


Foi numa exposição realizada a 24 de Agosto de 1917 no artístico Pavilhão, no Campo d´Agonia em Viana do Castelo, que Gemeniana Branco deu a conhecer os seus trabalhos e que desde então dá início a uma profissionalização desta prática.
Germeniana era uma jovem mulher com recursos, ligações e capacidade de iniciativa. Características que a levaram a transformar uma tarefa de uso essencialmente doméstico a uma atividade económica. Esta mulher fá-lo não só por si que dados os seus recursos não necessitava mas por princípios e valores que partilhava com mulheres como Berta Machado ou Ana de Castro Osório, que quando Portugal entrou na I Grande Guerra foram as fundadoras da Cruzada das Mulheres Portuguesas que tinha como objetivo diminuir a miséria das famílias portuguesas da altura. Foi neste contexto que Gemeniana se lança ao trabalho ajudando mulheres carenciadas no sustento das suas famílias em Viana e nos arredores.
A área de produção do Bordado de Viana do Castelo engloba a totalidade do território do Município de Viana do Castelo e os municípios que integram a Região de Turismo do Alto Minho tais como: Arcos de Valdevez, Barcelos, Caminha, Esposende, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte do Lima, Terras de Bouro, Valença e Vila Nova de Cerveira.

O Bordado de Viana do Castelo deve ser executado sobre um tecido, tafetá, linho puro , algodão puro.
A cor mais utilizada para o tecido base tem sido o branco. Contudo, até porque o linho caseiro, por vezes, tem uma cor bege escuro – o “pano-cru”– desde o início da produção que foram utilizados tecidos em várias tonalidades de bege e cru. Nos anos quarenta tornou-se vulgar bordar-se sobre tecidos de cor viva como o vermelho ou o azul forte, tendência que perdura até aos dias de hoje.



A linha usada no Bordado de Viana do Castelo é a linha 100% de algodão, brilhante, o conhecido “perlé” número 8.
As cores das linhas a utilizar, são o branco, o azul e o vermelho, cujos números de referência (da marca Coats & Clark, a mais utilizada), são respetivamente o nº 01, o n.º 0134 e o n.º 047. Estas três cores tanto se usam em monocromia, como combinadas entre si, sendo raro aparecer o azul e vermelho sem o branco.



No Bordado de Viana do Castelo, a japoneira corresponde à estilização da camélia, flor conhecida por esta designação no Norte do País.










O Coração é, com a Japoneira um dos motivos mais presentes no Bordado de Viana do Castelo.



Continua atual a transposição para o Bordado de Viana do Castelo, a imagem das peças que integram a rica filigrana minhota, tão tradicionalmente usadas. Assim surgem, inspiradas nas peças da ourivesaria popular, desenhos de corações e também de cruzes laças ou borboletas, fios de contas e brincos.




Encontramos também trevo, quer de três quer de quatro folhas, de tamanho variado.



Marias e Mariões são flores constituídas por pétalas separadas umas das outras, que irradiam de um “olho” ou centro, redondo, podem existir variações.
A diferença do tamanho explica a diferença do nome, uma vez que as Marias apresentam uma dimensão média da ordem dos 3 ou 4 centímetro de diâmetro e os Mariões são maiores.



As estrelas são motivos de recorte aos bicos, sejam flores ou motivos de carácter mais geométrico. Uma das razões que explicam o seu desaparecimento do Bordado atual de Viana do Castelo é a maior dificuldade que representam, ao nível do risco e da sua execução. No seu desenho algumas aproximam-se das japoneiras, outras dos mariões.


Dados obtidos graças ao excelente trabalho de 
Ana Pires, Caderno de Especificações do Bordado de Viana do Castelo, Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2006

Documento que suporta o Processo de certificação destes trabalhos onde são definidos e apresentados todos os elementos que caracterizam este produto e lhe confere especificidade e identidade.  


























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